Na ONU, Rússia denuncia silêncio do Ocidente sobre crimes do regime de Kiev

O Representante Permanente Vassily Nebenzia ressaltou que Moscou restringe suas operações a alvos militares, enquanto regime ucraniano insiste em ataques premeditados contra civis.

O representante permanente da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, interviu nesta segunda-feira (12) em uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, dedicada à manutenção da paz e segurança na Ucrânia.

Na ocasião, rejeitou as novas acusações do Ocidente sobre os ataques em massa lançados pela Rússia no último dia 9 contra alvos militares e infraestruturas portuárias, de transporte e de energia que servem à indústria de defesa ucraniana.

O diplomata reforçou que as alegações sobre ataques direcionados contra civis "não são apoiadas por fatos ou evidências". "As Forças Armadas russas não atacam civis", assegurou.

"Nossos colegas ocidentais nos informam sobre vítimas entre a população civil, a maioria das quais, como até mesmo os ucranianos sabem, são consequência da ação da defesa aérea ucraniana", comentou Nebenzia.

Silêncio sobre crimes de Kiev

Em seguida, Nebenzia rechaçou ofensivas ucranianas direcionadas de forma "deliberada" contra a população civil. Segundo ele, ataques das Forças Armadas da Ucrânia deixaram pelo menos 367 civis feridos e 56 mortos em 2025.

"Não deixamos de nos surpreender com a reação silenciosa da comunidade internacional, que se tornou a norma, especialmente a do secretário-geral da ONU", afirmou.

Nebenzia condenou o fato de que ações desse tipo "não sejam claramente classificadas como atos terroristas", mas sim descartadas como "fatos não confirmados". Essa prática, afirmou ele, "representa uma rejeição aos princípios básicos do direito internacional humanitário, incluindo a proteção da população civil e a proibição de ataques deliberados contra instalações civis".

Nesse contexto, o diplomata denunciou o "daltonismo político" de países ocidentais, que insistem em culpabilizar a Rússia por "todos os males" no conflito regional.

Terrorismo marcado por "cinismo"

O diplomata mencionou o ataque terrorista perpetrado na véspera de Ano Novo pelas forças ucranianas na localidade de Khorly (província russa de Kherson), que deixou 29 civis mortos, incluindo duas crianças, e mais de 30 feridos.

Ele destacou que esse "ataque covarde foi caracterizado por um cinismo especial", já que a cidade atacada por drones, incluindo um que transportava uma mistura inflamável, está localizada em uma zona turística, em uma península banhada pelo Mar Negro por três lados.

"Não há instalações militares lá e nunca houve. O antigo porto marítimo perdeu sua importância há muito tempo e a área está se desenvolvendo exclusivamente como zona recreativa: acampamentos infantis, centros de lazer, infraestrutura turística", explicou.

"Até que o líder de Kiev recupere o senso comum"

Nebenzia voltou a advertir que nenhuma ação hostil por parte da "camarilha neonazista entrincheirada em Kiev" ficará sem a devida resposta.

O representante russo indicou que o líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky, não será auxiliado "nem pela fracassada cúpula francesa da 'coalizão dos voluntários', nem pelo avanço das forças da OTAN em direção às fronteiras da Ucrânia".

Também não lhe serão úteis, afirmou, os apelos a uma trégua na esperança de se recuperar da "derrota esmagadora" no campo de batalha. "Também não servirão de nada a Zelensky suas condições absurdas, que não levam em conta a realidade, com a qual ele há muito perdeu contato, e que ele apresenta em resposta às propostas dos Estados Unidos, anulando-as de fato", sublinhou.

"Até que o líder de Kiev recupere o bom senso e aceite condições realistas para as negociações, continuaremos resolvendo os problemas por meios militares", afirmou Nebenzia. "Ele já foi avisado na época: as condições das negociações piorarão para ele a cada dia que perder, e cada ataque covarde contra cidadãos russos pacíficos será seguido por uma resposta contundente", assegurou.