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Boulos critica publicação de Trump como presidente interino da Venezuela: 'passou de todos os limites'

Para o ministro brasileiro, o presidente norte-americano "parece decidido a reeditar o colonialismo imperialista no século XXI".
Boulos critica publicação de Trump como presidente interino da Venezuela: 'passou de todos os limites'Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil, Guilherme Boulos, criticou nesta segunda-feira (12) uma publicação do presidente dos EUA, Donald Trump, em que se autodenominou como "Presidente Interino da Venezuela". 

"[Trump] passou de todos os limites. Parece decidido a reeditar o colonialismo imperialista no século XXI. É absurda e inaceitável essa ingerência no nosso continente", afirmou em publicação no X.

O deputado federal ainda complementou que a "América Latina não é quintal", enfatizando que a soberania "não se negocia".

Na noite de domingo (11), o presidente norte-americano publicou uma imagem manipulada em que aparece como "presidente interino da Venezuela". A publicação, com o formato visual da Wikipédia, exibe o retrato oficial de Trump com a data de 2025 e menciona que ele teria assumido o cargo venezuelano em janeiro de 2026.

A presidente encarregada venezuelana, Delcy Rodríguez, criticou a imagem nesta segunda-feira (12), reafirmando a independência do país sul-americano. "Tenho visto caricaturas na Wikipedia sobre quem manda na Venezuela. Bem, aqui há um governo que manda na Venezuela, aqui há uma presidente encarregada e há um presidente refém nos EUA", sustentou.

Agressão contra a Venezuela e sequestro de Maduro

  • No sábado (3), os EUA lançaram um ataque militar massivo em território venezuelano. A operação terminou com o sequestro de Maduro e Flores, que foram levados para Nova York.
  • Caracas classificou as ações de Washington como uma "gravíssima agressão militar" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação".
  • Maduro se declarou inocente na segunda-feira (5) em sua primeira audiência perante a Justiça dos EUA no Tribunal do Distrito Sul de Nova York, acusado de narcoterrorismo. Flores procedeu da mesma forma.
  • A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodrígueztomou posse na segunda-feira (5) como presidente encarregada do país sul-americano.
  • Muitos países do mundo, entre eles a Rússia e a China, pediram a libertação de Maduro e sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia destacou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externa. "Reafirmamos a solidariedade inabalável da Rússia com o povo e o governo venezuelanos. Desejamos à presidente encarregada Delcy Rodríguez sucesso na resolução dos desafios que a República Bolivariana enfrenta. Por nossa parte, expressamos nossa disposição de continuar a prestar o apoio necessário ao nosso país amigo, a Venezuela", acrescentou.