Quem é Reza Pahlaví, herdeiro do último xá que dos EUA tenta liderar protestos no Irã

Exilado desde a revolução de 1979, ele defende uma intervenção militar contra a República Islâmica, mantém vínculos com Israel, mas sofre resistência dentro da oposição iraniana; analistas apontam isolamento político interno e apoio externo limitado às suas pretensões.

Um dos principais apoiadores dos protestos em curso no Irã é Reza Pahlaví, filho do último xá do país, que vive há décadas no Ocidente.

O ex-herdeiro se apresenta como um dos líderes do movimento e afirma estar disposto a retornar ao país. Sua imagem, porém, é marcada por posições e atitudes controversas, o que o torna pouco popular entre os iranianos.

O que se sabe sobre ele?

Reza Pahlaví nasceu em 1960 e é o filho mais velho do último xá, Mohammad Reza Pahlaví. Em 1967, foi oficialmente nomeado príncipe herdeiro e, em 1978, aos 17 anos, mudou-se para os Estados Unidos para receber treinamento como piloto.

No ano seguinte, ocorreu a Revolução Iraniana que derrubou a monarquia e, após um referendo, instaurou uma república islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini.

Um ano depois da revolução, o xá morreu de doença no Egito, e sua família, incluindo Reza Pahlaví, passou a viver nos EUA.

Carreira controversa

Durante o exílio, Pahlaví se tornou um dos rostos mais conhecidos da oposição iraniana fora do país.

Ao longo dos anos, tem defendido a derrubada do atual governo e a restauração da monarquia. Seus vínculos com os EUA e o apoio de Israel — adversário histórico do Irã —, no entanto, dividem a oposição.

Em 2023, ele se reuniu com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, "em um esforço para reconstruir as relações históricas entre o Irã e Israel".

No ano passado, pediu aos líderes mundiais que seguissem o exemplo do governo israelense e se "comprometessem" a apoiar uma agressão militar contra o próprio país durante a chamada "guerra dos 12 dias".

O que ele diz sobre os protestos?

Com a intensificação das manifestações violentas, Pahlaví passou a convocar a população a "sair às ruas" e "ocupar os espaços públicos".

"Nosso objetivo não é mais apenas sair às ruas; o objetivo é se preparar para conquistar e defender os centros urbanos", escreveu no X.

Ele também convocou "os trabalhadores e funcionários de setores-chave da economia, especialmente dos setores de transporte, petróleo, gás e energia", a iniciar uma greve nacional.

"Digo aos jovens da Guarda Etérea do Irã e a todas as forças armadas e de segurança que se uniram à Plataforma de Cooperação Nacional: parem e desmantelem ainda mais a máquina repressiva para que, no dia prometido, possamos desativá-la completamente", declarou.

Irã vive onda de protestos em meio à incitação ao caos vinda do exterior: o que se sabe?

Ele afirmou ainda estar "mais pronto do que nunca para intervir no Irã quando a situação assim o exigir".

No domingo (11), anunciou "uma nova fase da revolta nacional para derrubar a República Islâmica", conclamando forças de segurança a se rebelarem e pedindo que bandeiras do Irã em embaixadas fossem substituídas por símbolos monárquicos.

O Irã precisa de um xá?

Apesar do discurso combativo, o apoio a Pahlaví e a disposição de atores externos em respaldar suas ambições políticas seguem limitados.

O instituto americano Brookings Institution avalia que Pahlaví carece de "apoio organizado", uma vez que não existe um "movimento monárquico sério" no país.

"Ele é um estranho em seu próprio país. E, fundamentalmente, não tem uma força invasora pronta para colocá-lo no poder", afirma uma publicação da revista Time.

Pahlaví também aparentemente não conta com o respaldo do presidente dos EUA, Donald Trump, que afirmou recentemente que um encontro com o príncipe herdeiro não seria "algo apropriado".