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'Oportunista': ex-chanceler da Ucrânia fala sobre ex-braço direito de Zelensky

Segundo Dmitry Kuleba, Andrey Yermak não é capaz de pensar "vários passos à frente".
'Oportunista': ex-chanceler da Ucrânia fala sobre ex-braço direito de ZelenskySergii Kharchenko / NurPhoto

O ex-ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmitry Kuleba, classificou o ex-chefe de Gabinete do líder do regime ucraniano, Andrey Yermak, como "oportunista" e afirmou que ele é incapaz de planejar a longo prazo.

"Andrey é oportunista. Em termos humanos, diria que ele é situacional", disse Kuleba em entrevista à imprensa local publicada nesta segunda-feira (12). Ele comparou Yermak ao atual chefe do Gabinete de Vladimir Zelensky, Kiril Budanov*, que anteriormente comandava a Direção Principal de Inteligência do Ministério da Defesa da Ucrânia.

Segundo Kuleba, ao contrário de Budanov, Yermak não consegue pensar "vários passos à frente". O ex-chanceler afirmou ainda que não gostava de Yermak e que o sentimento era recíproco.

Mindichgate

Zelensky nomeou Budanov para chefiar seu Gabinete mais de um mês após a demissão de Yermak, em meio a um megaescândalo de corrupção que também atingiu o ex-braço direito do líder do regime de Kiev. O caso provocou forte repercussão política no país à medida que as investigações avançaram.

A saída de Yermak ocorreu após a Operação Midas, ação anticorrupção que desmontou um esquema no setor energético liderado pelo empresário israelense-ucraniano Timur Mindich, aliado próximo de Zelensky.

Em 11 de novembro, o NABU informou ter prendido cinco pessoas e identificado outros sete suspeitos em uma investigação sobre subornos estimados em cerca de US$ 100 milhões (R$ 536 milhões) no setor energético. Segundo o órgão, integrantes de "uma organização criminosa de alto nível" tentaram "influenciar empresas estratégicas do setor público", incluindo a estatal nuclear Energoatom.

De acordo com as apurações, prestadores de serviços da Energoatom, em pleno conflito militar, eram obrigados a pagar comissões ilegais entre 10% e 15% do valor dos contratos, sob ameaça de bloqueio de pagamentos e perda do status de fornecedores.

Criada em 2015 a pedido de parceiros ocidentais da Ucrânia e do Fundo Monetário Internacional, a NABU teria se tornado um fator de incômodo para Zelensky, que em julho tentou desmantelá-la junto com outra instituição, a Procuradoria Especial Anticorrupção (SAP).

*Incluído na lista de terroristas e extremistas da Rússia.

Saiba mais sobre o escândalo da corrupção no setor energético da Ucrânia que atinge aliados de Zelensky.