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Escândalo no exército alemão: nazismo, drogas, violência e ameaças de estupro em unidade de elite

A investigação apontou conivência institucional aos abusos, agressões físicas e discurso extremista, com oficiais sob suspeita e processos disciplinares em andamento.
Escândalo no exército alemão: nazismo, drogas, violência e ameaças de estupro em unidade de eliteChris Emil Janßen / Legion-Media

A Bundeswehr, o Exército alemão, é alvo de um escândalo envolvendo o Regimento 26 de Paraquedistas, sediado em Zweibrücken, no estado da Renânia-Palatinado.

O Ministério Público analisa mais de uma dezena de denúncias que incluem uso de uniformes ao estilo nazista, saudações hitleristas, consumo de drogas, assédio e registro de imagens de colegas no chuveiro, informou o Financial Times no domingo (11).

Na última quinta-feira (8), a revista Der Spiegel revelou novas acusações, entre elas a de que um capitão teria apontado uma pistola parcialmente carregada para dois soldados e a de que outro militar precisou passar por cirurgia após sofrer seguidos golpes na região genital e na cabeça desferidos por instrutores.

Denúncia e investigação

O caso veio a público em outubro do ano passado, após uma denúncia anônima. O Exército afirmou que apurava os fatos desde junho, a partir de queixas apresentadas por mulheres paraquedistas, que correspondem a cerca de 5% do efetivo da unidade.

Segundo as acusações, atuava no quartel uma "camarilha" ultradireitista e antissemita, que desferia insultos como "porco judeu", enquanto as mulheres eram alvo de piadas pornográficas, ameaças de estupro e atos de exibicionismo.

Um porta-voz do Exército afirmou que 55 suspeitos foram investigados. Três já foram expulsos, 19 respondem a processos de demissão e 16 inquéritos foram encaminhados ao Ministério Público — a maioria por envolvimento com drogas, além de casos de discurso de ódio e uso de símbolos extremistas proibidos.