
Irã começa a cruzar linha vermelha, alerta Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado (10), que seu governo está "considerando algumas opções bem severas" em relação ao Irã como resposta à repressão violenta às manifestações no país.

Em declarações à imprensa a bordo do Air Force One, Trump declarou que os líderes iranianos "governam através da violência" e que o governo americano, junto com o exército, está acompanhando a situação "com muita seriedade".
Questionado sobre se o Irã já teria cruzado uma "linha vermelha", Trump respondeu: "Eles estão começando, pelo que parece. Parece que algumas pessoas que não deveriam ter sido mortas morreram". O presidente americano reconheceu que algumas mortes podem ter sido resultado da enorme dimensão dos protestos, mas afirmou que algumas pessoas teriam sido baleadas.
Perguntado sobre o que os EUA fariam caso suas bases no Oriente Médio fossem atacadas, Trump respondeu que seu país faria "coisas que nem poderia se imaginar": "Se fizerem isso, nós os atingiremos em níveis que eles nunca sofreram antes", declarou.
O que se sabe até agora
Os protestos eclodiram no final de 2025, depois que comerciantes da capital Teerã fecharam seus negócios em protesto contra a desvalorização do rial iraniano, que caiu para mínimos históricos em relação ao dólar americano, informam os meios de comunicação locais.
As autoridades admitiram as pressões econômicas que a população suporta e sinalizaram que as manifestações pacíficas são legítimas. "Devemos melhorar nosso desempenho e prestar atenção aos resultados de nossas ações", afirmou o presidente Masoud Pezeshkian.
"Para atender ao descontentamento social, nós, funcionários públicos, devemos revisar nossa gestão e nossas instituições", acrescentou. "Acho que a culpa é minha. A culpa é nossa", enfatizou o presidente.
Incidentes provocados
No entanto, o governo alertou sobre a presença de indivíduos ligados a serviços de inteligência estrangeiros que, segundo afirma, procuram provocar distúrbios e desvirtuar os protestos. No município de Malekshahi, na província ocidental de Ilam, foram registrados confrontos entre as forças de segurança e manifestantes no sábado, 3 de janeiro. Um pequeno grupo atacou um hospital e causou destruição nas vias públicas. Pelo menos três manifestantes e um policial morreram, além de vários feridos, segundo informou a agência Mehr.
Uma situação semelhante ocorreu em 6 de janeiro na cidade vizinha de Abdanan, onde um grupo organizado transformou o protesto pacífico em distúrbios. A mídia ocidental indicou que os manifestantes haviam tomado Malekshahi e Abdanan. No entanto, essa informação foi desmentida pelas autoridades. A imprensa local informa que a polícia se deslocou para a área e reforçou a segurança.
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