
Irã promete medidas severas contra grupos armadas e acusa EUA e Israel de incentivar violência

Durante uma sessão aberta no Parlamento neste domingo (11), o presidente da Casa Legislativa iraniana, Mohammad Baqer Qalibaf, declarou que o Irã reconhece as manifestações pacíficas da população motivadas por preocupações econômicas, mas não tolerará ações violentas promovidas por grupos armados.
"Hoje, a nação iraniana decidiu firmemente enfrentar os terroristas armados... Reconheceremos os protestos legítimos e os investigaremos seriamente, enquanto enfrentamos os terroristas", afirmou Qalibaf.

As declarações ocorrem após uma série de distúrbios esporádicos em várias cidades iranianas, que, segundo Teerã, foram incentivados por agentes estrangeiros ligados aos Estados Unidos e ao regime de Israel.
Qalibaf ressaltou que o Irã enfrenta simultaneamente quatro tipos de guerra promovidos por Washington e Tel Aviv: econômica, cognitiva, militar e terrorista. Ele mencionou que os inimigos recorreram à guerra terrorista após fracassarem em uma ofensiva militar, ocorrida entre os dias 13 e 24 de junho de 2025, que resultou na morte de pelo menos 1.064 iranianos.
"Aqueles que se autodenominam mercenários estrangeiros, que traem sua pátria para agradar o presidente dos Estados Unidos [Donald Trump], que se transformam em operativos do Daesh e iniciam uma guerra terrorista — que saibam que serão enfrentados com as medidas mais severas", declarou o parlamentar.
Qalibaf alertou que qualquer um preso por envolvimento em atos armados enfrentará uma resposta "dura e inflexível". Ele acusou os militantes de agirem à semelhança do grupo terrorista Daesh, atacando propriedades públicas, bancos, veículos e até civis, "sem poupar mulheres e crianças".
O mandatário do legislativo também dirigiu um recado direto ao presidente dos Estados Unidos. "Tenha cuidado com os conselhos que recebe sobre atacar o Irã; certifique-se de que não sejam os mesmos que afirmaram, de forma falsa, que Mashhad havia caído", disse, em referência a uma publicação feita por Trump dias atrás.
"Para evitar erros de cálculo, saiba que, se decidir atacar o Irã, tanto os territórios ocupados quanto todas as bases, centros militares e navios americanos na região serão alvos legítimos", alertou Qalibaf.
Situação agora
Os protestos eclodiram no final de 2025, depois que comerciantes da capital Teerã fecharam seus negócios em protesto contra a desvalorização do rial iraniano, que caiu para mínimos históricos em relação ao dólar americano, informam os meios de comunicação locais.
As autoridades admitiram as pressões econômicas que a população suporta e sinalizaram que as manifestações pacíficas são legítimas. "Devemos melhorar nosso desempenho e prestar atenção aos resultados de nossas ações", afirmou o presidente Masoud Pezeshkian.
"Para atender ao descontentamento social, nós, funcionários públicos, devemos revisar nossa gestão e nossas instituições", acrescentou. "Acho que a culpa é minha. A culpa é nossa", enfatizou o presidente.
Incidentes provocados
No entanto, o governo alertou sobre a presença de indivíduos ligados a serviços de inteligência estrangeiros que, segundo afirma, procuram provocar distúrbios e desvirtuar os protestos.
No município de Malekshahi, na província ocidental de Ilam, foram registrados confrontos entre as forças de segurança e manifestantes no sábado, 3 de janeiro. Um pequeno grupo atacou um hospital e causou destruição nas vias públicas. Pelo menos três manifestantes e um policial morreram, além de vários feridos, segundo informou a agência Mehr.
Uma situação semelhante ocorreu em 6 de janeiro na cidade vizinha de Abdanan, onde um grupo organizado transformou o protesto pacífico em distúrbios. A mídia ocidental indicou que os manifestantes haviam tomado Malekshahi e Abdanan. No entanto, essa informação foi desmentida pelas autoridades. A imprensa local informa que a polícia se deslocou para a área e reforçou a segurança.
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