
'Solidariedade e cooperação': Venezuela reafirma relações com Cuba em meio a ameaças de Trump

A República Bolivariana da Venezuela divulgou neste domingo (11) um comunicado oficial reafirmando sua postura histórica em relação à República de Cuba, destacando os laços de cooperação e solidariedade entre os dois países caribenhos. A declaração foi publicada pelo chanceler Yván Gil em seu canal oficial no Telegram.
De acordo com o documento, a posição da Venezuela está alinhada com os princípios da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional, especialmente no que diz respeito ao "livre exercício da autodeterminação e da soberania nacional".

O comunicado sublinha que as relações entre Caracas e Havana foram historicamente consolidadas com base "na irmandade, na solidariedade, na cooperação e na complementariedade", marcando a continuidade de uma aliança estratégica entre os governos bolivariano e cubano.
A chancelaria venezuelana também reiterou que as relações internacionais devem ser guiadas pelos princípios da não intervenção, da igualdade soberana entre os Estados e da autodeterminação dos povos. "Reiteramos que o diálogo político e diplomático é o único caminho para dirimir de maneira pacífica controvérsias de qualquer natureza", afirmou o governo em trecho do comunicado.
Ameaças de Trump
Em 11 de janeiro, o presidente dos EUA declarou em redes sociais que "Não haverá mais petróleo nem dinheiro para Cuba. Zero!". "Exorto-vos veementemente a chegar a um acordo antes que seja tarde demais", continuou.
Em sua declaração, ele contextualizou e "justificou" essa medida, afirmando que "Cuba viveu por muitos anos com grandes quantidades de petróleo e dinheiro provenientes da Venezuela". Segundo ele, "Em troca, Cuba forneceu serviços de segurança aos dois últimos 'ditadores venezuelanos', mas isso acabou!".
"Agora a Venezuela tem os Estados Unidos, o exército mais poderoso do mundo (de longe!), para protegê-la, e nós a protegeremos", finalizou.
"Hegemônico criminoso e descontrolado"
Em resposta às ameaças de Trump, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel declarou que "aqueles que transformam tudo em negócio, até mesmo vidas humanas, não têm autoridade moral para apontar o dedo para Cuba de forma alguma, absolutamente nenhuma".
"Aqueles que agora estão descarregando histericamente sua raiva contra nossa nação o fazem por indignação com a decisão soberana deste povo de escolher seu modelo político", afirmou ele em sua conta no X.
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, afirmou que, "ao contrário dos EUA, não temos um governo que se preste a atividades mercenárias, chantagem ou coerção militar contra outros Estados". Segundo ele, Cuba "tem o direito absoluto" de importar combustível de mercados "dispostos a exportá-lo" e de desenvolver suas relações comerciais "sem interferência ou subordinação a medidas coercitivas unilaterais dos EUA".
"A Lei e a Justiça estão do lado de Cuba ", reiterou.
O ministro das Relações Exteriores acusou Washington de agir como uma "força hegemônica criminosa e descontrolada que ameaça a paz e a segurança, não apenas em Cuba e neste hemisfério, mas em todo o mundo".
Pressão crescente sobre Cuba
- Na sequência da agressão militar dos EUA contra a Venezuela, que culminou no sequestro do presidente Nicolás Maduro, o governo Trump intensificou as ameaças contra a ilha caribenha.
- Trump afirmou que "invadir e destruir" Cuba poderia ser a única opção restante para forçar mudanças. Nesse contexto, o Secretário de Estado Marco Rubio declarou, durante uma reunião com executivos do setor petrolífero, que as autoridades cubanas optaram pelo "controle político sobre o povo em detrimento de uma economia funcional".
- As ameaças de Trump surgem em meio ao embargo econômico e comercial que os EUA mantêm contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que impacta severamente a economia do país, foi ainda mais reforçado por inúmeras medidas coercitivas e unilaterais impostas pela Casa Branca.
- Hoje, praticamente todos os países do mundo condenam o bloqueio. Da mesma forma, a Assembleia Geral da ONU se manifestou contra essas políticas em dezenas de ocasiões.
