
Hungria alerta União Europeia e compara militarização da Ucrânia a Fortnite

O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Péter Szijjártó, alertou no sábado (10) que as negociações com a União Europeia "têm se transformado em conferências de guerra", nas quais a lógica militar substitui a reflexão política. A declaração foi feita durante o congresso do partido governista Fidesz, em reação a planos de França e Reino Unido de enviar tropas à Ucrânia após um eventual acordo de paz entre Kiev e Moscou.

Segundo o portal húngaro Origo, Szijjártó comparou a militarização do conflito ao videogame Fortnite e afirmou: "A partir de agora já não se trata de Fortnite, mas do mundo real".
Szijjártó afirmou ainda que líderes europeus e o governo de Kiev buscam arrastar a Hungria para a guerra, plano que, segundo ele, é barrado pelo primeiro-ministro Viktor Orbán.
"Eles estão fazendo tudo para eliminar esse obstáculo", declarou, ao mencionar as eleições de abril e a possibilidade de um governo "favorável a Bruxelas".
Acordo e reação de Moscou
Em 6 de janeiro, foi assinada na França a Declaração de Paris da chamada "coalizão de voluntários", que prevê o envio de tropas a Kiev. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que forças do Reino Unido participariam de "operações de dissuasão". França e Reino Unido também acordaram a criação de centros militares e instalações protegidas para armas na Ucrânia.
Em 8 de janeiro, a Rússia voltou a classificar o eventual envio de tropas estrangeiras como inaceitável.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, afirmou que qualquer presença militar ocidental em território ucraniano será vista como "uma ameaça direta à segurança" e que essas unidades serão consideradas "alvos militares legítimos" pelas Forças Armadas russas.

