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Pyongyang adverte Japão de sua 'destruição total' se tentar reavivar militarismo

Os gastos com defesa atingiram "um máximo histórico" nos últimos 12 anos, superando o ritmo das principais potências militares mundiais, aponta a KCNA.
Pyongyang adverte Japão de sua 'destruição total' se tentar reavivar militarismoGettyimages.ru / David Mareuil

A iniciativa do governo japonês de militarizar o país gera "graves riscos" à segurança regional e global, e pode levar à "destruição total" do próprio Japão, alertou neste domingo (11) a agência estatal da República Popular Democrática da Coreia (RPDC), KCNA.

De acordo com seu artigo, por meio dos planos das autoridades japonesas de revisar o status não nuclear do país, bem como desenvolver significativamente seu poder militar ofensivo, o Japão "desiste completamente da fachada de 'nação pacífica' e embarca no caminho de institucionalizar e nacionalizar sua evolução para uma nação agressora e em guerra".

"Trata-se de uma manifestação clara da loucura do neomilitarismo, que busca negar completamente os pecados sangrentos do passado e reconstruir a antiga era imperial por meio de um rápido rearmamento", afirma a agência, destacando que os gastos com defesa do país nipônico atingiram "um máximo histórico" nos últimos 12 anos, superando o ritmo das principais potências militares mundiais.

"Desde o início, o atual governo tem trabalhado ativamente para concretizar os desejos [...] das forças políticas de extrema direita, incluindo emendas constitucionais", destaca a KCNA. Além disso, indica que outro fato evidente "é que o Japão agora está tentando se transformar em um Estado com armas nucleares".

"Não é por acaso que até mesmo a mídia japonesa criticou a situação atual, dizendo que é difícil garantir que o Japão não volte a cair no caminho do fascismo de sua era militarista", no entanto, "a única coisa que o Japão ganhará com o novo militarismo é sua destruição total", conclui o artigo.

Situação atual no Japão

O Japão segue três princípios não nucleares: não possuir, não produzir e não introduzir armas atômicas em seu território. Essa postura não está estabelecida na lei, mas todos os chefes de governo da nação confirmaram sua adesão a ela, e por muito tempo o próprio debate sobre essa questão foi considerado tabu. Por isso, alguns políticos chegavam a falar de um "quarto princípio": não discutir o assunto.

Com a chegada de Sanae Takaichi ao cargo de primeira-ministra, os meios de comunicação japoneses noticiaram que, no âmbito da revisão anunciada da estratégia de segurança nacional, também seria discutida a abordagem aos três princípios não nucleares. De acordo com essas publicações, Takaichi estaria disposta, pelo menos, a apoiar o abandono da proibição de introduzir armas nucleares americanas no país.