Macron enfrenta resistência no Parlamento francês a plano de envio de tropas à Ucrânia

Presidente apresentou proposta em reunião fechada no Eliseu e ouviu críticas de partidos e parlamentares.

O presidente da França, Emmanuel Macron, enfrentou resistência de parte do Parlamento ao apresentar um plano para o envio de milhares de soldados franceses à Ucrânia após um eventual acordo de paz. A proposta foi detalhada naa quinta-feira (8) em uma reunião a portas fechadas no Palácio do Eliseu, com representantes de todas as forças políticas, segundo informou o jornal Le Monde na sexta-feira (9).

O encontro durou quase três horas e reuniu cerca de 30 participantes, entre eles o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu; a ministra da Defesa, Catherine Vautrin; o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Fabien Mandon; além dos presidentes da Assembleia Nacional e do Senado e líderes partidários.

Durante a reunião, Macron forneceu informações classificadas como "confidenciais" sobre o plano de desdobramento militar. O general Fabien Mandon afirmou que "as forças francesas não serão forças de interposição nem de estabilização" e que o objetivo do envio seria "tranquilizar o Exército ucraniano", com tropas posicionadas longe da linha de frente.

A iniciativa, no entanto, recebeu críticas. A líder do grupo França Insubmissa na Assembleia Nacional, Mathilde Panot, declarou que se opõe ao envio de tropas e defendeu a necessidade de um "mandado da ONU". Posição semelhante foi expressa pelo secretário nacional do Partido Comunista Francês, Fabien Roussel, que também defendeu o uso de uma "força de paz da ONU".

Parlamentares também manifestaram desconfiança em relação ao apoio dos Estados Unidos. Panot afirmou que "não há motivos para confiar em Donald Trump", enquanto o deputado Jean-Louis Thiériot disse desconfiar das "garantias de segurança" mencionadas por Macron.

Acordo internacional e reação da Rússia

Na terça-feira (6), França, Reino Unido e Ucrânia assinaram uma declaração de intenções sobre garantias de segurança, que prevê o envio de uma força militar multinacional europeia à Ucrânia e menciona uma "supervisão do cessar-fogo liderada pelos EUA".

Segundo o jornal The Times, Londres e Paris planejam um contingente de até 15 mil militares, com menos da metade proveniente do Reino Unido.

Em 8 de janeiro, a Rússia voltou a classificar o eventual envio de tropas estrangeiras como inaceitável.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, afirmou que qualquer presença militar ocidental em território ucraniano será vista como "uma ameaça direta à segurança" e que essas unidades serão consideradas "alvos militares legítimos" pelas Forças Armadas russas.