Exército do Irã declara apoio ao líder supremo e fala em frustrar 'conspirações do inimigo'

Forças Armadas afirmaram que declarações dos Estados Unidos e de Israel sobre protestos no país buscam desestabilizar a nação.

O Exército do Irã declarou neste sábado (10) apoio ao líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, e afirmou que está preparado para defender o país e frustrar o que classificou como "conspirações do inimigo". O posicionamento ocorre durante protestos registrados no país e foi divulgado agência iraniana Tasnim.

No texto, os militares afirmaram que declarações vindas dos Estados Unidos e de Israel têm como objetivo "alterar o orden e a tranquilidade das cidades e perturbar a segurança pública do país". Segundo o Exército, as ações fazem parte de uma estratégia contínua para interferir nos assuntos internos do Irã.

O comunicado diz que, "durante os últimos 47 anos", os Estados Unidos tentam, "por meio de diversos enganos e conspirações", restabelecer influência sobre o território e a população iraniana. As Forças Armadas também citam o apoio de Israel e de "grupos terroristas e hostis" nas iniciativas, conforme o texto.

A nota também convoca a população a "manter a vigilância" diante do que classifica como ameaças externas.

As Forças Armadas ainda rejeitaram promessas dos Estados Unidos de ajudar o povo iraniano, qualificando-as como falsas. De acordo com o comunicado, tais declarações partem do "mesmo inimigo" que, segundo os militares, esteve envolvido em ações que resultaram na morte de cidadãos iranianos.

Acusações de interferência

O representante permanente do Irã nas Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, acusou os Estados Unidos de transformar protestos pacíficos em episódios de violência. "Essa interferência é realizada por meio de ameaças, incitação e fomento deliberado da violência, o que perturba a paz e a estabilidade", escreveu ele em uma carta dirigida ao Conselho de Segurança da ONU, citada pela Tasnim.

Paralelamente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou intervir no Irã se houvesse mortes de manifestantes. Enquanto isso, o Jerusalem Post informou na segunda-feira (5) que os EUA estão considerando uma intervenção para apoiar os manifestantes no Irã, enquanto Israel estuda se a recente captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, poderia estabelecer um precedente aplicável ao governo iraniano.

Protestos no Irã

Os protestos no Irã, que não cessam desde o final de dezembro em meio à economia enfraquecida e ao colapso da moeda nacional, se espalharam por toda a República Islâmica. Uma nova escalada ocorreu na noite da quinta-feira (8), após um apelo do príncipe herdeiro no exílio Reza Pahlavi, filho do último xá da Pérsia, derrubado pela revolução de 1979, para que as pessoas saíssem às ruas.

A mídia local informa a morte de vários agentes de segurança em ataques armados em Teerã, Lordegan, Chenarán e Kermanshah.

Por sua vez, a ONG Iran Human Rights, com sede em Oslo, contabilizou que pelo menos 45 manifestantes morreram, incluindo oito menores, em 11 províncias até 8 de janeiro. Estima-se, além disso, que mais de 2 mil pessoas tenham sido detidas.

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