Morre aos 92 anos Manoel Carlos, autor de novelas marcantes da TV brasileira

O escritor e roteirista Manoel Carlos, conhecido por obras que marcaram a teledramaturgia brasileira, morreu neste sábado (10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família. A causa da morte não foi divulgada.
Internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, ele fazia tratamento contra a Doença de Parkinson, que nos últimos meses comprometeu sua capacidade motora e cognitiva.
Conhecido pelo público como Maneco, o autor assinou algumas das novelas mais emblemáticas da televisão brasileira, como "Laços de Família", "Mulheres Apaixonadas" e "Por Amor". Suas tramas abordavam temas cotidianos centrados em conflitos familiares e foram ambientadas majoritariamente no Rio de Janeiro.
Manoel Carlos também ficou marcado por um recurso narrativo próprio: as Helenas. A personagem feminina com esse nome esteve presente em nove de suas novelas, representando diferentes faces do amor materno e da força feminina.
Nascido em São Paulo, em 1933, ele se dizia carioca de coração. Começou sua trajetória profissional como auxiliar de escritório aos 14 anos, mas já se dedicava à literatura e ao teatro em grupos que frequentavam a Biblioteca Municipal de São Paulo. Dividia leituras com nomes como Fernanda Montenegro e Flávio Rangel.
A estreia artística ocorreu aos 17 anos como ator no programa "Grande Teatro Tupi". No ano seguinte, foi premiado como revelação e passou a atuar também como produtor e diretor.
Na televisão, sua carreira passou por emissoras como TV Tupi, TV Record e TV Excelsior. Participou da criação e roteirização de programas como "Hebe Camargo", "Família Trapo", "Chico Anysio Show" e "O Fino da Bossa".
Na Globo, estreou como diretor-geral do "Fantástico" em 1972. Sua primeira novela na emissora foi "Maria, Maria", exibida em 1978. No mesmo ano, adaptou "A Sucessora", baseada no romance de Carolina Nabuco.
A partir da década de 1980, consolidou seu estilo com tramas como "Baila Comigo" (1981), que apresentou sua primeira Helena, interpretada por Lilian Lemmertz. A última Helena, em 2014, foi vivida por Julia Lemmertz, filha da atriz.
Outras produções de destaque foram "História de Amor" (1995), "Por Amor" (1997), "Mulheres Apaixonadas" (2003), "Páginas da Vida" (2006) e "Viver a Vida" (2009), quando Taís Araújo protagonizou a primeira Helena negra.
Além das novelas, também escreveu minisséries como "Presença de Anita" (2001) e "Maysa – Quando Fala o Coração" (2009).
Maneco era pai de cinco filhos. Três deles faleceram: o dramaturgo Ricardo de Almeida, o diretor Manoel Carlos Júnior e o estudante Pedro Almeida. Deixa duas filhas: a atriz Júlia Almeida e a roteirista Maria Carolina, que colaborou com ele em diversas produções.
O velório será fechado e restrito a familiares e amigos. Em nota, a família agradeceu o carinho e pediu privacidade: "A família agradece as manifestações de carinho e solicita respeito e privacidade neste momento delicado".
