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Petrolíferas dos EUA freiam entusiasmo de Trump em relação à Venezuela

Algumas gigantes do setor recusaram-se a comprometer-se com os investimentos bilionários planejados por Trump, alegando falta de segurança jurídica e riscos significativos.
Petrolíferas dos EUA freiam entusiasmo de Trump em relação à VenezuelaGettyimages.ru / Chip Somodevilla

Em uma reunião realizada na sexta-feira (9) na Casa Branca, algumas gigantes petrolíferas americanas mostraram-se cautelosas com os planos do presidente Donald Trump de realizar investimentos massivos e imediatos na Venezuela após a recente invasão militar e o sequestro do presidente Nicolás Maduro, informa a Axios neste sábado (10).

Trump, ansioso por fechar acordos "hoje", delineou um futuro em que empresas americanas e de outros países injetariam até US$ 100 bilhões para reativar a devastada indústria venezuelana. Ele prometeu garantias de segurança (sem detalhes específicos nem compromisso de presença militar) e afirmou que as empresas negociariam "diretamente conosco", e não com a Venezuela.

No entanto, a resposta dos grandes atores do setor foi muito mais cautelosa e apontou obstáculos concretos:

  • A Exxon classificou a Venezuela como "não investível" sem mudanças legais e comerciais profundas.
  • A ConocoPhillips destacou a necessidade de reestruturar a dívida e todo o sistema energético do país.
  • A Chevron, a única que opera lá atualmente, priorizou a segurança de seus funcionários e a proteção de seus ativos, aderindo estritamente às leis e sanções dos Estados Unidos.

Apenas algumas empresas independentes, como a Hilcorp Energy, demonstraram um compromisso imediato. Funcionários sugeriram que o capital inicial deveria vir do setor privado, com um possível apoio creditício estatal para grandes projetos.

O desafio é levar a produção dos atuais 800.000 barris diários para os 3,5 milhões do final dos anos 90, o que poderia exigir investimentos muito superiores a US$ 100 bilhões e muitos anos, segundo vários analistas.

Agressão contra a Venezuela e sequestro de Maduro

  • No sábado (3), os EUA lançaram um ataque militar massivo em território venezuelano. A operação terminou com o sequestro de Maduro e Flores, que foram levados para Nova York.
  • Caracas classificou as ações de Washington como uma "gravíssima agressão militar" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação".
  • Maduro se declarou inocente na segunda-feira (5) em sua primeira audiência perante a Justiça dos EUA no Tribunal do Distrito Sul de Nova York, acusado de narcoterrorismo. Flores procedeu da mesma forma.
  • A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodrígueztomou posse na segunda-feira (5) como presidente encarregada do país sul-americano.
  • Muitos países do mundo, entre eles a Rússia e a China, pediram a libertação de Maduro e sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia destacou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externa. "Reafirmamos a solidariedade inabalável da Rússia com o povo e o governo venezuelanos. Desejamos à presidente encarregada Delcy Rodríguez sucesso na resolução dos desafios que a República Bolivariana enfrenta. Por nossa parte, expressamos nossa disposição de continuar a prestar o apoio necessário ao nosso país amigo, a Venezuela", acrescentou.