Irã revela novo rumo da agressão dos EUA e de Israel após fracasso do ataque frontal

A inteligência iraniana acusa ambos os países de liderarem uma complexa operação secreta para desestabilizar a república islâmica.

A inteligência do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) acusou os Estados Unidos e Israel de orquestrar distúrbios no Irã por meio de um plano deliberado que tem várias fases e é orientado por serviços de inteligência estrangeiros e executado por forças terroristas organizadas no terreno, informou a agência Tasnim na sexta-feira (9). O órgão afirmou que o inimigo modificou sua estratégia, passando de um ataque frontal para a promoção da instabilidade interna.

A Tasnim informou que "a organização de inteligência do IRGC afirmou que as declarações intervencionistas descaradas do presidente americano e dos funcionários do regime sionista em apoio aos manifestantes, a ativação de grupos terroristas e as manobras militares do inimigo fora das fronteiras do Irã deram um novo rumo às concentrações violentas".

O CGRI também se referiu aos ataques contra bases militares e ao martírio de cidadãos e membros das forças de segurança durante os distúrbios, alertando que a continuação de tais atos é inaceitável e responsabilizando diretamente os autores desses incidentes terroristas pelo derramamento de sangue ocorrido.

Protestos no Irã

Os protestos no Irã, que estão ocorrendo desde o final de dezembro, surgiram em um cenário de crise econômica e forte desvalorização da moeda nacional, e se espalharam por todo o país.

As reivindicações dos manifestantes se concentram na deterioração das condições de vida e são marcadas pela inflação, perda de poder aquisitivo e descontentamento com a gestão do governo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou intervir no Irã se houvesse mortes de manifestantes. Enquanto isso, o Jerusalem Post informou na segunda-feira (5) que os EUA estão considerando uma intervenção para apoiar os manifestantes no Irã, enquanto Israel estuda se a recente captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, poderia estabelecer um precedente aplicável ao governo iraniano.

Diante das declarações hostis, Teerã acusou Washington e Tel Aviv de instrumentalizar os protestos como parte de uma "guerra suave", advertindo-os severamente para que não interferissem nos assuntos internos da república islâmica.

Em um contexto de tensão crescente, Teerã e Washington continuam trocando declarações contundentes.