Vladimir Zelensky apresentou a Washington novas exigências relativas à resolução do conflito ucraniano. Em particular, o chefe do regime de Kiev deseja discutir pessoalmente com o presidente Donald Trump os compromissos específicos dos EUA, buscando, segundo ele, algo mais concreto do que "promessas" de reação.
As exigências ocorrem em meio aos fracassos do Exército ucraniano na frente de batalha devido a inúmeros problemas sistêmicos, como deserção, falta de tropas, armas e exaustão geral, bem como grandes escândalos de corrupção, nos quais estão envolvidas pessoas próximas ao líder do regime de Kiev, em particular, o ex-chefe de seu gabinete, Andrey Yermak, e o empresário Timur Mindich, conhecido como seu "carteirista".
"Não quero que tudo se limite a prometer uma reação", afirmou em entrevista por telefone à Bloomberg, divulgada na sexta-feira (9), acrescentando que quer "algo mais concreto". "Não se pode mostrar aos russos o que eles querem ver ou ouvir", continuou ele, instando os EUA a responder de forma mais sistemática a Moscou e apontando que a Ucrânia ainda não recebeu todos os sistemas de defesa aérea Patriot e munições que lhe foram prometidos.
Possível acordo de livre comércio
Assim, Zelensky explicou que está discutindo com os Estados Unidos um possível acordo de livre comércio, como parte de um "pacote de prosperidade" mais amplo destinado a impulsionar a recuperação da Ucrânia. Isso incluiria tarifas zero para o comércio com os EUA e se aplicaria a algumas zonas industrializadas da Ucrânia, o que daria ao país "uma vantagem muito importante" em comparação com seus vizinhos e serviria como uma garantia de segurança econômica adicional.
Zona econômica livre
Além disso, ele observou que o regime de Kiev está considerando um plano proposto por Washington para criar uma zona econômica livre que separe as forças ucranianas e russas após uma possível trégua, o que transformaria qualquer zona tampão em um espaço onde as empresas poderiam operar sob um regime jurídico e tributário especial.
Zelensky afirmou que essa zona poderia ser criada em partes de Donbass e serviria como um compromisso para que ambas as partes retirassem suas forças da área e permanecessem separadas por uma distância suficiente para permitir a vida normal na zona. Uma segunda opção consistiria em interromper os combates, mantendo as forças onde estão, enquanto outras questões são abordadas, continuou ele. "Trata-se de congelar a linha de contato, não o conflito", disse, acrescentando que um acordo desse tipo seria mais fácil de implementar e supervisionar para os aliados estrangeiros de Kiev.
Eliminação das causas fundamentais do conflito
Moscou tem insistido repetidamente que está aberta ao diálogo para a resolução do conflito ucraniano. O presidente russo, Vladimir Putin, tem afirmado que, em primeiro lugar, é necessário garantir a segurança da Rússia a longo prazo. Esta questão é especialmente importante no contexto das causas profundas do conflito, nomeadamente a expansão da OTAN, que Moscou considera uma ameaça, e a violação dos direitos da população de língua russa na Ucrânia, que o Kremlin insiste em proteger.
A proposta de Moscou prevê que Kiev retire completamente suas tropas das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk e das províncias de Zaporozhie e Kherson (incorporadas à Rússia após consultas populares em 2022) e reconheça esses territórios, bem como a Crimeia e Sebastopol, como parte da Federação Russa. Além disso, devem ser garantidas a neutralidade e a não alinhamento, bem como a desnuclearização, desmilitarização e desnazificação da Ucrânia.