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Trump: 'Eu disse à China e à Rússia que não queremos vê-los na Venezuela'

As declarações do presidente dos estados Unidos ocorreram durante uma reunião com executivos da indústria de petróleo e gás para discutir possíveis planos para Caracas.
Trump: 'Eu disse à China e à Rússia que não queremos vê-los na Venezuela'AP / Evan Vucci

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira (9) que informou Pequim e Moscou de que Washington não deseja vê-los na Venezuela.

"Eu disse à China e à Rússia: 'Nós nos damos muito bem com vocês. Nós os apreciamos muito. Não os queremos lá'", disse ele durante uma reunião com executivos da indústria de petróleo e gás na Casa Branca para discutir possíveis planos para Caracas.

Após a recente agressão militar dos EUA contra a Venezuela, a ABC News noticiou, citando fontes familiarizadas com o assunto, que Washington exigirá que Caracas expulse a China, a Rússia, o Irã e Cuba e rompa relações econômicas com essas nações.

Segundo outra exigência, a Venezuela deve concordar em fazer parceria exclusivamente com os Estados Unidos na produção de petróleo e dar preferência aos compradores americanos na venda de petróleo bruto pesado.

Na quarta-feira (7), Trump anunciou que a República Bolivariana está comprometida em fazer negócios com Washington como "seu principal parceiro", o que ele descreveu como "uma decisão sábia e altamente benéfica para o povo venezuelano e para os EUA".

"Acabei de ser informado de que a Venezuela comprará exclusivamente produtos fabricados nos EUA com o dinheiro que receber do nosso novo acordo petrolífero", escreveu ele na rede Truth Social, detalhando que "essas compras incluirão, entre outras coisas, produtos agrícolas, medicamentos, dispositivos médicos e equipamentos fabricados nos EUA para melhorar a rede elétrica e as instalações de energia da Venezuela".

Venezuela, aberta a relações onde 'todas as partes se beneficiam'

Por sua vez, a presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou na quarta-feira (7) que seu país está aberto a relações energéticas onde "todas as partes se beneficiem", criticando a "voracidade energética do Norte" e enfatizando que "o narcotráfico, a democracia e os direitos humanos foram as desculpas" para se apropriar dos recursos de sua nação.

"E nós aqui temos uma posição muito clara: a Venezuela está aberta a relações energéticas onde todas as partes se beneficiem, onde  a cooperação econômica seja claramente definida em contratos comerciais ", afirmou.

Por sua vez, Moscou expressou, após o ataque norte-americano, sua "disposição em continuar fornecendo o apoio necessário à Venezuela, país amigo", razão pela qual defende "firmemente" que seja garantido ao país sul-americano "o direito de determinar seu próprio destino sem qualquer tipo de interferência destrutiva do exterior".

O Ministério das Relações Exteriores da China declarou que "a Venezuela é um Estado soberano com soberania plena e permanente sobre seus recursos naturais e todas as suas atividades econômicas".

"Quero enfatizar que os direitos e interesses legítimos da China e de outros países na Venezuela devem ser protegidos", ressaltou o porta-voz Mao Ning.

Agressão contra a Venezuela e sequestro de Maduro

  • No sábado (3), os EUA lançaram um ataque militar massivo em território venezuelano. A operação terminou com o sequestro de Maduro e Flores, que foram levados para Nova York.
  • Caracas classificou as ações de Washington como uma "gravíssima agressão militar" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação".
  • Maduro se declarou inocente na segunda-feira (5) em sua primeira audiência perante a Justiça dos EUA no Tribunal do Distrito Sul de Nova York, acusado de narcoterrorismo. Flores procedeu da mesma forma.
  • A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodrígueztomou posse na segunda-feira (5) como presidente encarregada do país sul-americano.
  • Muitos países do mundo, entre eles a Rússia e a China, pediram a libertação de Maduro e sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia destacou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externa. "Reafirmamos a solidariedade inabalável da Rússia com o povo e o governo venezuelanos. Desejamos à presidente encarregada Delcy Rodríguez sucesso na resolução dos desafios que a República Bolivariana enfrenta. Por nossa parte, expressamos nossa disposição de continuar a prestar o apoio necessário ao nosso país amigo, a Venezuela", acrescentou.