Notícias

Caracas e Washington dão primeiro passo para retomar relações diplomáticas

Autoridades venezuelanas esclareceram que o objetivo da reunião é abordar as consequências do atentado e sequestro do Presidente da República e da Primeira-Dama, bem como delinear uma agenda de trabalho de interesse mútuo.
Caracas e Washington dão primeiro passo para retomar relações diplomáticasGettyimages.ru / Boris Vergara

O governo venezuelano anunciou nesta sexta-feira (9) que iniciou "um processo diplomático exploratório" com os EUA para retomar as relações bilaterais, segundo um comunicado divulgado pelo ministro das Relações Exteriores, Yván Gil, em suas redes sociais. 

"O Governo Bolivariano da Venezuela decidiu iniciar um processo diplomático exploratório com o Governo dos EUA, visando o restabelecimento de missões diplomáticas em ambos os países", diz o texto.

Caracas declarou que a reaproximação com Washington tem o "propósito [...] de abordar as consequências da agressão e do sequestro do Presidente da República, [Nicolás Maduro] e da Primeira-Dama, [Cilia Flores], bem como de abordar uma agenda de trabalho de interesse mútuo".

Para esse fim, uma delegação de diplomatas do Departamento de Estado dos EUA chegou nesta sexta ao país sul-americano para realizar avaliações técnicas e logísticas relacionadas às funções diplomáticas. Da mesma forma, a Venezuela enviará uma delegação diplomática a Washington para realizar as tarefas correspondentes, explicaram as autoridades venezuelanas.

"Como reiterou a presidente encarregada, Delcy Rodríguez, a Venezuela enfrentará essa agressão por meio de canais diplomáticos, convicta de que a diplomacia bolivariana de paz é o caminho legítimo para a defesa da soberania, a restauração do direito internacional e a preservação da paz", conclui o documento.

Agressão contra a Venezuela e sequestro de Maduro

  • No sábado (3), os EUA lançaram um ataque militar massivo em território venezuelano. A operação terminou com o sequestro de Maduro e Flores, que foram levados para Nova York.
  • Caracas classificou as ações de Washington como uma "gravíssima agressão militar" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação".
  • Maduro se declarou inocente na segunda-feira (5) em sua primeira audiência perante a Justiça dos EUA no Tribunal do Distrito Sul de Nova York, acusado de narcoterrorismo. Flores procedeu da mesma forma.
  • A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodrígueztomou posse na segunda-feira (5) como presidente encarregada do país sul-americano.
  • Muitos países do mundo, entre eles a Rússia e a China, pediram a libertação de Maduro e sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia destacou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externa. "Reafirmamos a solidariedade inabalável da Rússia com o povo e o governo venezuelanos. Desejamos à presidente encarregada Delcy Rodríguez sucesso na resolução dos desafios que a República Bolivariana enfrenta. Por nossa parte, expressamos nossa disposição de continuar a prestar o apoio necessário ao nosso país amigo, a Venezuela", acrescentou.