Em meio aos protestos em massa que abalam o Irã, o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, dirigiu-se à nação acusando os manifestantes de agirem em benefício do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Khamenei afirmou que "alguns agitadores" estão danificando a propriedade pública com o objetivo de agradar Trump e aconselhou o presidente americano a cuidar dos problemas de seu próprio país. "Se puder, que cuide do seu próprio país! Em seu próprio país estão ocorrendo vários incidentes", proclamou.
Além disso, enfatizou que Donald Trump tem as mãos "manchadas com o sangue de mais de mil iranianos", ao responsabilizá-lo diretamente pela morte de altos comandantes militares, cientistas renomados, figuras relevantes e até mesmo civis inocentes do país durante a "guerra dos 12 dias". Khamenei apontou que o próprio Trump teria reconhecido seu envolvimento direto no conflito.
Da mesma forma, o líder iraniano criticou a flagrante contradição no discurso de Trump, que, após esses eventos, se apresentou publicamente como "um defensor da nação iraniana". Nesse contexto, ele questionou aqueles que poderiam dar crédito a tal mensagem. "Um punhado de pessoas inexperientes, distraídas e irrefletidas acreditam nisso, aceitam e agem de acordo com seus desejos", afirmou.
- Os protestos no Irã, que não cessam desde o final de dezembro em meio à economia enfraquecida e ao colapso da moeda nacional, se espalharam por toda a República Islâmica. Uma nova escalada ocorreu na noite da quinta-feira (8), após um apelo do príncipe herdeiro no exílio Reza Pahlavi, filho do último xá da Pérsia, derrubado pela revolução de 1979, para que as pessoas saíssem às ruas.
- A mídia local informa a morte de vários agentes de segurança em ataques armados em Teerã, Lordegan, Chenarán e Kermanshah. Por sua vez, a ONG Iran Human Rights, com sede em Oslo, contabilizou que pelo menos 45 manifestantes morreram, incluindo oito menores, em 11 províncias até 8 de janeiro. Estima-se, além disso, que mais de 2.000 pessoas tenham sido detidas.