O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se pronunciou na quinta-feira (8) pela primeira vez sobre a captura do petroleiro Marinera, que navegava sob bandeira russa.
"Nós apreendemos o cargueiro russo que estava lá. Eles tinham alguns navios russos protegendo-o, mas decidiram não se meter conosco", afirmou em entrevista à Fox News.
"O fato é que os navios russos eram um submarino e um contratorpedeiro. Ambos se retiraram muito rapidamente quando chegamos. E nós assumimos o controle do navio, e o petróleo está sendo descarregado neste momento", acrescentou mais tarde na mesma entrevista.
O presidente americano se recusou a responder à pergunta sobre se havia falado com o presidente russo, Vladimir Putin, após a captura do petroleiro.
Abordagem
Na terça-feira (6), a empresa russa BurevestMarin denunciou a tentativa dos EUA de interceptar o "Marinera" no Atlântico Norte, acrescentando que o navio não transporta carga a bordo. Apesar das "repetidas tentativas do capitão de comunicar a identidade e o caráter civil do navio com bandeira russa, a perseguição continua com a vigilância aérea coordenada por aviões de reconhecimento P-8A Poseidon da Marinha dos Estados Unidos", denunciou.
No dia seguinte, o navio foi abordado e detido por membros da Guarda Costeira dos Estados Unidos. O Comando Europeu das Forças Armadas dos EUA (EUCOM) confirmou a detenção do navio e acusou-o de violar as sanções impostas por Washington. Por sua vez, o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, comentando a apreensão, declarou que "o bloqueio do petróleo venezuelano sancionado e ilícito continua em pleno vigor em qualquer parte do mundo".
Reação da Rússia
Moscou comprometeu-se a tratar de todas as questões relacionadas com a proteção dos cidadãos russos que se encontram a bordo do navio.
O Ministério dos Transportes da Rússia reiterou que o navio obteve uma autorização temporária para navegar sob bandeira russa, nos termos da legislação russa e das normas do direito internacional. O ministério citou as normas da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, segundo a qual em águas internacionais prevalece o regime de liberdade de navegação e "nenhum Estado tem o direito de usar a força contra navios devidamente registrados nas jurisdições de outros Estados".
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia exigiu que fosse garantido um tratamento humano à tripulação. "Tendo em conta as informações recebidas sobre a presença de cidadãos russos entre a tripulação, exigimos que a parte americana lhes garanta um tratamento humano e digno, respeite estritamente os seus direitos e interesses e não impeça o seu rápido regresso à pátria", declarou o Ministério das Relações Exteriores russo. O ministério acrescentou que estava acompanhando de perto as notícias sobre a situação.