
Filho de Maduro relata operação dos EUA que resultou no sequestro do presidente venezuelano

O deputado venezuelano Nicolás Maduro Guerra comentou sobre a operação de tropas dos Estados Unidos que realizaram, em 3 de janeiro, uma intervenção militar que resultou no sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e da primeira-dama, Cilia Flores. Segundo ele, a ação deixou mais de uma centena de mortos, entre civis e militares, e envolveu ataques a infraestruturas estratégicas do país.
As declarações foram feitas durante um fórum da Internacional Antifascista em solidariedade à Venezuela, realizado por teleconferência.
Ataques militares e mortes
A operação foi ordenada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e contou com o uso de "mais de 150 aeronaves", além da neutralização dos radares de defesa aérea venezuelanos.
"Ficamos às cegas", afirmou, ao relatar o uso de tecnologia de guerra eletrônica que afetou os sistemas de defesa.

O parlamentar disse que houve bombardeios contra instalações da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) e contra infraestrutura considerada vital, incluindo centrais elétricas, armazéns de medicamentos do Instituto Venezuelano dos Seguros Sociais (IVSS) e instalações científicas do Instituto Venezuelano de Investigações Científicas (IVIC). Ele também mencionou ataques a edifícios residenciais.
Segundo Maduro Guerra, os ataques resultaram em "mais de 100 pessoas mortas", incluindo civis, militares venezuelanos e "32 camaradas cubanos" vinculados a acordos de cooperação entre Cuba e Venezuela.
Sequestro do presidente
Ao descrever o momento do sequestro, o deputado afirmou que Nicolás Maduro estava em sua residência quando tropas de assalto chegaram ao local.
"O presidente estava descansando em sua casa", disse. Segundo ele, militares norte-americanos explodiram uma porta de madeira com explosivos, acreditando que se tratava de um quarto de segurança, e foi nesse momento que Cilia Flores ficou ferida.
Maduro Guerra afirmou que os soldados levaram um equipamento médico e prestaram atendimento, pois "a ordem era deixá-los vivos".
Ele relatou ainda que outras duas pessoas que estavam na residência também foram poupadas. Segundo o deputado, Maduro e Cilia Flores deixaram o local caminhando, e o presidente teria dito: "Vamos à luta, vamos à batalha".
Situação política
O deputado afirmou que o sequestro representa uma "violação total e absoluta da soberania" da Venezuela. Maduro Guerra disse que a Constituição do país não prevê a ausência do presidente em caso de sequestro e que, por isso, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu a condução do governo como presidente encarregada.
Maduro Guerra declarou que as ações do governo seguem "o plano deixado pelo presidente" e afirmou que autoridades como Delcy Rodríguez, Jorge Rodríguez e Diosdado Cabello mantêm contato permanente desde o início da operação.
Ele acrescentou que eventuais conversas com os Estados Unidos também fazem parte de um plano aprovado por Nicolás Maduro.
Agressão contra a Venezuela e sequestro de Maduro
- No sábado (3), os EUA lançaram um ataque militar massivo em território venezuelano. A operação terminou com o sequestro de Maduro e Flores, que foram levados para Nova York.
- Caracas classificou as ações de Washington como uma "gravíssima agressão militar" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação".
- Maduro se declarou inocente na segunda-feira (5) em sua primeira audiência perante a Justiça dos EUA no Tribunal do Distrito Sul de Nova York, acusado de narcoterrorismo. Flores procedeu da mesma forma.
- A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, tomou posse na segunda-feira (5) como presidente encarregada do país sul-americano.
- Muitos países do mundo, entre eles a Rússia e a China, pediram a libertação de Maduro e sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia destacou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externa. "Reafirmamos a solidariedade inabalável da Rússia com o povo e o governo venezuelanos. Desejamos à presidente encarregada Delcy Rodríguez sucesso na resolução dos desafios que a República Bolivariana enfrenta. Por nossa parte, expressamos nossa disposição de continuar a prestar o apoio necessário ao nosso país amigo, a Venezuela", acrescentou.


