Irã vive onda de protestos em meio à incitação ao caos vinda do exterior: o que se sabe?

As autoridades indicaram que as reclamações sobre a tensa situação econômica eram legítimas, desde que houvesse manifestações pacíficas.

O Irã vive uma onda de protestos há duas semanas, motivados pela tensa situação econômica e pelo enfraquecimento da moeda nacional. Em meio aos incidentes registrados em várias manifestações, as autoridades iranianas acusam os EUA e Israel de instigá-los por meio de métodos de "guerra suave".

Os protestos eclodiram no final de dezembro, depois que comerciantes da capital Teerã fecharam seus negócios em protesto contra a desvalorização do rial iraniano, que caiu para mínimos históricos em relação ao dólar americano, informam os meios de comunicação locais.

As autoridades admitiram as pressões econômicas que a população suporta e sinalizaram que as manifestações pacíficas são legítimas. "Devemos melhorar nosso desempenho e prestar atenção aos resultados de nossas ações", afirmou o presidente Masoud Pezeshkian.

"Para atender ao descontentamento social, nós, funcionários públicos, devemos revisar nossa gestão e nossas instituições", acrescentou. "Acho que a culpa é minha. A culpa é nossa", enfatizou o presidente.

Incidentes provocados

No entanto, o governo alertou sobre a presença de indivíduos ligados a serviços de inteligência estrangeiros que, segundo afirma, procuram provocar distúrbios e desvirtuar os protestos. No município de Malekshahi, na província ocidental de Ilam, foram registrados confrontos entre as forças de segurança e manifestantes no sábado, 3 de janeiro. Um pequeno grupo atacou um hospital e causou destruição nas vias públicas. Pelo menos três manifestantes e um policial morreram, além de vários feridos, segundo informou a agência Mehr.

Uma situação semelhante ocorreu na terça-feira (6) na cidade vizinha de Abdanan, onde um grupo organizado transformou o protesto pacífico em distúrbios. A mídia ocidental indicou que os manifestantes haviam tomado Malekshahi e Abdanan. No entanto, essa informação foi desmentida pelas autoridades. A imprensa local informa que a polícia se deslocou para a área e reforçou a segurança.

Interferência estrangeira?

Entretanto, o Jerusalem Post informou que os Estados Unidos estão considerando uma intervenção direcionada para apoiar os manifestantes no Irã, enquanto Israel estuda se o sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, poderia estabelecer um precedente aplicável ao governo iraniano.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu Teerã que seu país "atacará com força" se houver mais vítimas fatais nos protestos. Em uma declaração semelhante, ele afirmou que Washington estava "pronto para agir".

Enquanto isso, Reza Pahlavi, filho do último xá da Pérsia, Mohammad Reza Pahlavi, derrubado pela revolução islâmica de 1979, afirmou estar "mais pronto do que nunca" para intervir. "Estou mais pronto do que nunca para intervir no Irã assim que a situação exigir, e estarei lá, ao lado dos meus compatriotas, para liderar a batalha final", afirmou em entrevista à Fox News.

Resposta do Irã às ameaças

Por sua vez, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, o general de divisão Abdolrahim Mousavi, respondeu acusando os EUA e Israel de empregarem métodos de "guerra suave" por meio dos protestos, após o fracasso de sua "guerra de 12 dias" contra a República Islâmica no ano passado.

Na mesma linha, o Conselho de Defesa do Irã advertiu que a continuação de comportamentos hostis e da "retórica ameaçadora e intervencionista" dirigida contra o país será recebida com uma "resposta proporcional, firme e decisiva".