
Rússia comenta 'ação ilegal' dos EUA contra petroleiro de bandeira russa

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia se pronunciou nesta quinta-feira (8) sobre a "ação ilegal" dos EUA contra o petroleiro de bandeira russa Marinera no Oceano Atlântico.
A Chancelaria russa comunicou que a abordagem e a apreensão de um navio pacífico por militares americanos em alto mar e a captura de sua tripulação "não podem ser interpretadas senão como uma violação flagrante dos princípios e normas fundamentais do direito marítimo internacional e da liberdade de navegação".

"Instamos Washington a restabelecer as normas e princípios fundamentais da navegação marítima internacional e a cessar imediatamente suas ações ilegais contra o Marinera, bem como contra outros navios que realizam atividades legítimas em alto mar", afirmou o órgão, reiterando sua exigência de garantir um "tratamento humano e digno aos cidadãos russos a bordo do petroleiro".
Ao mesmo tempo, rejeitou categoricamente as ameaças de processo judicial contra a tripulação do petroleiro, anunciadas anteriormente pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, "sob pretextos absurdos".
Preocupação com a disposição dos EUA de "gerar crises internacionais agudas"
Da mesma forma, o ministério mostrou-se alarmado com a disposição de Washington de "gerar crises internacionais agudas" e dificultar as relações entre os dois países.
"Além da atitude desdenhosa do governo dos EUA em relação às 'regras do jogo' geralmente aceitas no âmbito do transporte marítimo internacional, causa pesar e preocupação a disposição de Washington de gerar crises internacionais graves, inclusive no que diz respeito às relações russo-americanas, já extremamente afetadas pelas divergências dos últimos anos", diz o comunicado.
O órgão afirmou que "o resultado do incidente com o 'Marinera' só pode provocar um aumento ainda maior da tensão militar e política na zona euro-atlântica, bem como uma redução visível do 'limiar do uso da força' contra a navegação pacífica".
Consequentemente, o ministério afirmou que outros países também podem considerar que têm o direito de agir de forma semelhante, percebendo as ações de Washington como um exemplo.
Apreensão de petroleiros
A Marinha dos EUA deteve na quarta-feira (7) o petroleiro Marinera, de bandeira russa, em águas internacionais do Atlântico Norte. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que a apreensão do navio ocorreu "por violações às sanções americanas", acrescentando que se tratava de "um navio da frota fantasma venezuelana que transportava petróleo sancionado".
Posteriormente, o governo dos EUA informou sobre a apreensão de outro navio que realizava "atividades ilícitas" no mar do Caribe. "O Departamento de Guerra, em coordenação com o Departamento de Segurança Nacional, deteve sem incidentes um navio-tanque sem bandeira e sancionado que fazia parte da frota obscura", diz uma mensagem publicada no X pelo Comando Sul dos EUA.
Reação da Rússia
Moscou comprometeu-se a tratar de todas as questões relacionadas com a proteção dos cidadãos russos que se encontram a bordo do navio.
O Ministério dos Transportes da Rússia reiterou que o navio obteve uma autorização temporária para navegar sob bandeira russa, nos termos da legislação russa e das normas do direito internacional. O ministério citou as normas da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, segundo a qual em águas internacionais prevalece o regime de liberdade de navegação e "nenhum Estado tem o direito de usar a força contra navios devidamente registrados nas jurisdições de outros Estados".
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia exigiu que fosse garantido um tratamento humano à tripulação. "Tendo em conta as informações recebidas sobre a presença de cidadãos russos entre a tripulação, exigimos que a parte americana lhes garanta um tratamento humano e digno, respeite estritamente os seus direitos e interesses e não impeça o seu rápido regresso à pátria", declarou o Ministério das Relações Exteriores russo. O ministério acrescentou que estava acompanhando de perto as notícias sobre a situação.


