O vice-presidente dos EUA, JD Vance, reiterou nesta quarta-feira (7) que seu país pretende controlar totalmente a indústria petrolífera da Venezuela, nação que bombardeou em 3 de janeiro e cujo presidente, Nicolás Maduro, foi sequestrado e transferido ilegalmente para Nova York para ser julgado por acusações infundadas de tráfico de drogas.
"As pessoas sempre perguntam: 'Como vocês controlam a Venezuela?' Estamos vendo isso em tempo real: a maneira como controlamos a Venezuela é controlando o dinheiro. Controlamos os recursos energéticos. E dizemos ao 'regime': 'Vocês têm o direito de vender o petróleo enquanto isso servir aos interesses nacionais dos EUA. Vocês não podem vendê-lo se isso não servir aos interesses nacionais dos EUA'", disse o alto funcionário à Fox News.
Seguindo a mesma linha de raciocínio, o vice-presidente vangloriou-se dos métodos que a Casa Branca utiliza para pressionar outras nações sem colocar seus cidadãos em risco.
"É assim que exercemos uma pressão incrível sobre aquele país sem desperdiçar uma única vida americana, sem colocar em risco nenhum cidadão americano", disse ele, referindo-se à suposta eficácia do bloqueio econômico e da coerção da indústria petrolífera venezuelana para forçar Caracas a cumprir as exigências dos EUA.
Uso do petróleo
No último domingo (4), após o ataque armado contra alvos civis e militares na Venezuela, Trump afirmou ter conversado "basicamente com todas" as companhias petrolíferas americanas sobre a possibilidade de entrada no país latino-americano e reiterou que elas estão dispostas a fazê-lo.
"Eles estão muito ansiosos para entrar ", afirmou. Segundo ele, o objetivo é reconstruir o sistema petrolífero venezuelano e recuperar ativos que, em sua opinião, foram desviados. "As companhias petrolíferas vão entrar e reconstruir esse sistema. Vão investir bilhões de dólares e extrair o petróleo do solo", assegurou.
Entretanto, nesta quarta-feira (7), a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), alvo de medidas coercitivas unilaterais de Washington há mais de uma década, anunciou que está em negociações com o governo Trump para a "venda de volumes de petróleo bruto" "no âmbito das relações comerciais existentes entre os dois países".
As alegações dos EUA de exclusividade – relatadas com outros detalhes não confirmados pela imprensa norte-americana – foram contestadas por países como a China e a Espanha, que reiteraram em declarações públicas que a Venezuela é um país soberano e que seus recursos naturais, incluindo o petróleo bruto, são propriedade exclusiva de seu povo.
'Gravíssima agressão militar'
Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez fique encarregada da Presidência.
O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.
Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, enviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência" e destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".