Chefe da ONU destaca 'soberania permanente' da Venezuela sobre seus recursos naturais

O chefe da organização internacional indicou que a agressão de Washington contra este país "cria um precedente perigoso".

O Secretário-Geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, enfatizou a "soberania permanente" da Venezuela sobre seus recursos naturais e que o petróleo do país sul-americano pertence "ao povo venezuelano".

A declaração foi feita durante uma reunião com o representante permanente da Venezuela nas Nações Unidas, Samuel Moncada, que denunciou a "agressão armada unilateral e injustificada" dos EUA contra Caracas, perpetrada na madrugada do último sábado (3), segundo um comunicado divulgado pelo ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil.

A declaração de Guterres surge num momento em que  o interesse de Washington no petróleo bruto venezuelano foi confirmado tanto antes como depois do ataque — e como Caracas já havia denunciado.

Na terça-feira (6), apenas três dias após o ataque que levou ao sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que "as autoridades 'interinas' da Venezuela entregarão entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo de alta qualidade e licenciado aos EUA", e especificou que ele próprio controlaria o dinheiro obtido com a venda desse petróleo bruto.

Por sua vez, a estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA) anunciou nesta quarta-feira (7) que está em "negociação" com os EUA para a venda de "volumes de petróleo bruto" e que o processo está sendo realizado "no âmbito das relações comerciais existentes entre os dois países".

"Violação flagrante"

No encontro com Moncada, Guterres destacou que a incursão militar dos EUA em território venezuelano representa "uma violação flagrante da Carta da ONU e das normas do direito internacional".

Ele também afirmou que a agressão cria "um precedente perigoso para as relações internacionais" e expressou suas "preocupações" sobre as repercussões que esse ataque teria na América Latina e no Caribe, proclamados como Zona de Paz.

O chefe da ONU prometeu considerar o convite feito pelo governo venezuelano para visitar o país e ofereceu seus "bons ofícios" para facilitar um diálogo nacional.

'Gravíssima agressão militar'