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Venezuela denuncia a agressão armada dos EUA perante o Secretário-Geral da ONU

Representante permanente de Caracas junto à organização, Samuel Moncada detalhou os danos causados ​​pelos bombardeios americanos e ressaltou que estes foram precedidos por meses de assédio militar no Caribe.
Venezuela denuncia a agressão armada dos EUA perante o Secretário-Geral da ONUReprodução/Divulgação Redes Sociais

O governo venezuelano denunciou na última terça-feira (6), perante o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, a "agressão armada unilateral" perpetrada pelos Estados Unidos, da qual foi vítima em 3 de janeiro, que culminou com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, além de dezenas de vítimas civis e militares.  

Em um comunicado divulgado pelo Ministro das Relações Exteriores, Yván Gil, no Telegram, foi especificado que o representante permanente de Caracas junto à organização, Samuel Moncada, se reuniu com Guterres, onde "explicou detalhadamente os fatos relacionados aos ataques armados registrados na capital do país, Caracas, bem como em outras cidades dos estados de Miranda, Aragua e La Guaira". 

Da mesma forma, o diplomata venezuelano "explicou que a agressão incluiu o envio massivo de aeronaves, helicópteros de combate e forças especiais, em uma operação progressiva que remonta pelo menos a agosto [...], quando começou o aumento da força militar dos EUA no Caribe". 

Ele acrescentou que "os ataques causaram dezenas de mortes e inúmeros feridos , tanto civis quanto militares, além de danos significativos à infraestrutura civil, militar e vital, incluindo portos, aeroportos, centros de armazenamento de suprimentos médicos, residências e sistemas de telecomunicações".

Moncada "enfatizou que esses atos constituem uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, classificando-os como um crime de agressão, um ato de guerra, um crime contra a paz e um crime contra a humanidade", diz o texto. 

O sequestro de Maduro e a inação da ONU

O embaixador venezuelano denunciou o sequestro de Maduro e Flores mediante o uso da força militar, o que "representa uma clara violação das imunidades de que gozam os chefes de Estado em exercício e que são reconhecidas como tal pelo direito internacional consuetudinário e por decisões de tribunais internacionais".

Da mesma forma, ele questionou as ações da ONU em relação à prolongada agressão de Washington contra a Venezuela, argumentando que a entidade não desempenhou "um papel mais ativo na condenação da ameaça e do uso da força pelo governo dos EUA contra a integridade territorial e a independência política da Venezuela".

Apesar das críticas, Moncada afirmou que "a Organização ainda tem um papel importante a desempenhar, incluindo assumir seu papel e autoridade na preservação da diplomacia como meio de garantir a paz mundial". 

Convite a Guterres

A este respeito, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela revelou que "estendeu um convite formal ao Secretário-Geral para visitar a Venezuela o mais breve possível ou, na impossibilidade disso, caso não seja possível devido a compromissos prévios na agenda, para nomear um enviado pessoal, para que ele possa verificar em primeira mão as consequências dos ataques militares de 3 de janeiro de 2026". 

Segundo as autoridades venezuelanas, a visita também permitiria ao mais alto órgão multilateral verificar no terreno "o estado de paz política e social e a continuidade constitucional no país, bem como o pleno abastecimento de alimentos e medicamentos".

Além disso, estimaram que o encontro poderia fortalecer a "cooperação" entre a nação bolivariana e as diversas agências que fazem parte do Sistema das Nações Unidas, que teriam a oportunidade de testemunhar em primeira mão "os desafios que [a Venezuela] enfrenta em consequência da agressão armada".

"Precedente perigoso"

O documento afirma ainda que Guterres "observou que a recente incursão militar dos EUA em território venezuelano representou uma violação flagrante da Carta da ONU e das normas do direito internacional". 

Ele afirmou ainda que o evento "criou um precedente perigoso para as relações internacionais e que tinha preocupações quanto às suas repercussões na região da América Latina e do Caribe, incluindo a sua proclamação como zona de paz".

Nessa mesma linha, ele "enfatizou a soberania permanente da Venezuela sobre seus recursos naturais e que o petróleo venezuelano pertence aos venezuelanos", enquanto, com relação ao convite para visitar a Venezuela, "agradeceu a oferta e prometeu considerá-la, oferecendo seus bons ofícios para promover um diálogo nacional".

'Gravíssima agressão militar'

  • Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de MirandaLa Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".

  • Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez fique encarregada da Presidência.

  • O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".

  • Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.

  • Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.

  • A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguezenviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência" e destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".