Rede de hospitais do SUS marca nova fase do Brasil no banco dos BRICS, afirma Dilma

Projeto integra inteligência artificial, 5G e medicina de precisão em 13 estados do país.

A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Rousseff, afirmou nesta quarta-feira (7) que o projeto do hospital inteligente do Sistema Único de Saúde representa um marco histórico para o Brasil e para o banco dos BRICS. A declaração foi feita durante o lançamento da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do SUS, em cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Com financiamento de US$ 320 milhões (aproximadamente R$ 1,708 bilhão) e prazo de 30 anos, o projeto contará com 14 Unidades de Terapia Intensiva interligadas em 13 estados.

A proposta inclui uso de inteligência artificial desde a triagem até o acompanhamento clínico, além de telemedicina, ambulâncias com 5G, cirurgias robóticas e monitoramento digital. O centro da rede será o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI-Brasil), no Hospital das Clínicas da USP, previsto para iniciar as operações em 2027.

Dilma afirmou que a iniciativa simboliza uma mudança na atuação do NDB, colocando o Brasil no centro da estratégia do banco. "O banco não tinha a prática de financiar projetos no Brasil. O Brasil não era o país que recebia o maior número de recursos", disse. Segundo ela, houve esforço deliberado nos últimos três anos para elevar a qualidade dos projetos no país.

A presidente do NDB destacou o apoio técnico e financeiro de China e Índia na estruturação da proposta. "Quero destacar que dois países são muito importantes para a estruturação desse projeto: China e Índia. Cada um pela sua capacitação e pela sua generosidade em compartilhar essas tecnologias conosco", afirmou. Ela também informou que foram obtidos recursos adicionais a fundo perdido junto a instituições dos BRICS.

Além de modernizar a infraestrutura hospitalar, o projeto busca inserir o Brasil nas fronteiras tecnológicas da saúde. "Desenvolvimento hoje significa necessariamente acesso à tecnologia", afirmou Dilma, ao defender a integração entre inovação tecnológica e políticas públicas. Para ela, o hospital inteligente cumpre papel estratégico de adaptação ao cenário global baseado em inteligência artificial e biotecnologia.

O ITMI-Brasil terá capacidade para atender cerca de 20 mil pacientes por ano, com 800 leitos e 25 salas cirúrgicas. O projeto contará com R$ 1,7 bilhão do NDB e R$ 1,1 bilhão do governo federal para modernizar unidades do SUS. A expectativa é reduzir em até cinco vezes o tempo de espera nos atendimentos de emergência por meio de sistemas digitais integrados.

Segundo Dilma, a iniciativa está aberta à participação de outros países dos BRICS, da América Latina e de todas as nações interessadas em replicar o modelo.