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PDVSA anuncia negociações com os EUA para a venda de 'volumes de petróleo bruto'

A ação está sendo realizada, segundo comunicado da entidade, "no âmbito das relações comerciais existentes entre os dois países".
PDVSA anuncia negociações com os EUA para a venda de 'volumes de petróleo bruto'Gettyimages.ru / Humberto Matheus

A empresa petrolífera estatal venezuelana, Petróleos de Venezuela SA (PDVSA), anunciou nesta quarta-feira (7) que está atualmente em "negociação" com os EUA para a venda de "volumes de petróleo bruto".

Segundo comunicado da entidade divulgado pelas redes sociais, a negociação está ocorrendo "no âmbito das relações comerciais existentes entre os dois países".

A empresa venezuelana explica que o processo está sendo realizado sob esquemas semelhantes aos vigentes com empresas internacionais, como a Chevron, e "baseia-se em uma transação estritamente comercial, com critérios de legalidade, transparência e benefício" para ambas as partes.

"A PDVSA reafirma seu compromisso de continuar construindo alianças que promovam o desenvolvimento nacional em benefício do povo venezuelano e contribuam para a estabilidade energética global", conclui o comunicado.

Sanções

Assim se pronuncia a emissora estatal venezuelana, quatro dias após a agressão militar perpetrada pelos EUA contra a Venezuela, que incluiu o bombardeio de Caracas e outros estados e resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

Antes do anúncio da PDVSA, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, vangloriou-se de que a Venezuela não pode transportar seu petróleo sem a permissão das autoridades norte-americanas, em decorrência da agressão militar.

"Eles não podem transferir o petróleo a menos que nós permitamos, porque temos sanções e estamos as cumprindo. Isso representa uma enorme vantagem", afirmou, referindo-se especificamente ao acordo entre Washington e a PDVSA. O funcionário indicou que não poderia fornecer uma data específica para a retomada das exportações de petróleo venezuelano.

Por sua vez, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, informou que os EUA decidiram suspender "seletivamente" uma série de sanções impostas à indústria petrolífera da Venezuela, a fim de "permitir o transporte e a venda de petróleo bruto e derivados venezuelanos para o mercado mundial".

Pouco antes, o próprio presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que "as autoridades interinas da Venezuela entregarão entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo de alta qualidade e licenciado aos EUA"; e especificou que ele próprio controlaria o dinheiro obtido com a venda desse petróleo bruto.

'Gravíssima agressão militar'

  • Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de MirandaLa Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".

  • Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez fique encarregada da Presidência.

  • O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".

  • Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.

  • Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.

  • A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguezenviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência" e destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".