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'Ações do Governo venezuelano serão ditadas pelos Estados Unidos', diz Casa Branca

Karoline Leavitt reiterou que será Washington quem tomará as decisões após a ataque militar contra a Venezuela.
'Ações do Governo venezuelano serão ditadas pelos Estados Unidos', diz Casa BrancaAssembleia Nacional da Venezuela

A administração Trump agora mantém comunicação "estreita" com o governo venezuelano, afirmou a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, nesta quarta-feira (7), poucos dias após atacar o país sul-americano com bombardeios.

Em uma coletiva de imprensa, Leavitt indicou que um comitê de Segurança Nacional, sob a liderança do Secretário de Estado Marco Rubio e do Vice-Presidente JD Vance, "mantém estreita correspondência com as autoridades 'interinas' da Venezuela".

"Obviamente, temos influência máxima sobre as autoridades 'interinas' da Venezuela neste momento, e o presidente deixou bem claro que não permitirá que continuem enviando drogas ilegais, imigrantes ilegais e criminosos de cartéis de drogas para os EUA", afirmou.

A porta-voz pontuou repetidas vezes que "continuarão a coordenar com as autoridades 'interinas' venezuelanas" e, ecoando Trump e Rubio, assegurou que "as suas decisões continuarão a ser ditadas pelos Estados Unidos da América".

O Secretário de Estado apresentou um roteiro para a Venezuela que inclui três etapas: estabilização, recuperação e transição. "Não queremos que eles mergulhem no caos", declarou.

Na terça-feira (6), a presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, transmitiu uma mensagem completamente diferente em um evento televisionado. "Não há nenhum agente externo governando a Venezuela. É a Venezuela, é o seu governo constitucional, é o poder consolidado do povo", afirmou.

"O governo venezuelano governa nosso país, ninguém mais", disse durante uma reunião focada em questões agroalimentares.

'Gravíssima agressão militar'

  • Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de MirandaLa Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".

  • Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez fique encarregada da Presidência.

  • O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".

  • Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.

  • Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.

  • A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguezenviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência" e destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".