'O governo Trump reserva-se o direito de usar a força contra a Venezuela, se necessário'. A declaração foi feita nesta quarta-feira (7) pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, após os ataques aéreos maciços dos EUA em território venezuelano no último sábado (3) e o sequestro do presidente Nicolás Maduro.
Questionada sobre a possibilidade de enviar tropas americanas para garantir a segurança dos trabalhadores de suas empresas petrolíferas que operam no país sul-americano, a porta-voz respondeu que atualmente não há forças no território.
No entanto, ela alertou que Trump "reserva-se o direito de usar as Forças Armadas dos Estados Unidos, se necessário".
"Continuamos em estreita coordenação com as autoridades 'interinas', e suas decisões continuarão a ser ditadas pelos Estados Unidos", enfatizou a porta-voz.
'Gravíssima agressão militar'
Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez fique encarregada da Presidência.
O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.
Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, enviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência" e destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".