O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, vangloriou-se de que a Venezuela não pode transportar seu petróleo sem a permissão das autoridades norte-americanas, após a agressão militar de Washington contra o país latino-americano no sábado (3).
"Eles não podem transferir a menos que nós permitamos, porque temos sanções e estamos as cumprindo. Isso representa uma enorme influência", afirmou nesta quarta-feira (7), referindo-se ao acordo entre Washington e a petrolífera venezuelana PDVSA.
Rubio afirmou que os EUA têm atualmente "um controle tremendo sobre as autoridades 'interinas' da Venezuela". Ele também anunciou que as autoridades venezuelanas solicitaram que o petróleo encontrado em um dos petroleiros detidos no Caribe fosse incluído no acordo energético.
"Eles entendem que a única maneira de transportar petróleo e gerar receita sem sofrer um colapso econômico é cooperando com os EUA", enfatizou.
Além disso, Rubio revelou o roteiro dos EUA para a Venezuela. "O primeiro passo é estabilizar o país [...] Tomaremos entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo. Venderemos no mercado a preços de mercado. Controlaremos como esse dinheiro será distribuído", afirmou o alto funcionário.
A segunda fase será a "recuperação", garantindo o acesso ao mercado venezuelano para Washington, o Ocidente e outros países. "A terceira fase será a transição", concluiu.
'Gravíssima agressão militar'
Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez fique encarregada da Presidência.
O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.
Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, enviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência" e destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".