Rússia acusa EUA de violar convenção da ONU ao interceptar navio no Atlântico

O Ministério dos Transportes da Rússia acusou os Estados Unidos de violarem o direito internacional ao deterem o petroleiro 'Marinera', que navega sob bandeira russa, em águas do Atlântico Norte.
Segundo o órgão russo, a interceptação realizada por forças da Marinha norte-americana contraria disposições fundamentais da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de 1982.
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— RT en Español (@ActualidadRT) January 6, 2026
Em comunicado oficial, o ministério sublinhou que "de conformidade com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, a liberdade de navegação se aplica em alto-mar, e nenhum Estado tem direito a usar a força contra navios devidamente registrados na jurisdição de outros Estados".
O ministério afirmou que a embarcação recebeu uma autorização temporária para navegar sob a bandeira russa em 24 de dezembro de 2025, emitida de acordo com a legislação russa e o direito internacional. "Hoje, por volta das 15h (horário de Moscou), a embarcação foi abordada por forças da Marinha dos EUA em alto-mar, fora das águas territoriais de qualquer Estado, e o contato com ela foi perdido", explicou.
Empresa russa denuncia perseguição naval dos EUA
Na terça-feira (7), a empresa russa BurevestMarin denunciou a tentativa dos EUA de interceptar o petroleiro russo 'Marinera' no Atlântico Norte durante uma tempestade.
"Nossa embarcação civil, que não transporta carga e navega em lastro, está sendo perseguida há algum tempo pela Guarda Costeira dos EUA", afirmou a empresa, acrescentando que, apesar das "repetidas tentativas do capitão de comunicar a identidade e a natureza civil da embarcação de bandeira russa, a perseguição continua com vigilância aérea coordenada por aeronaves de reconhecimento P-8A Poseidon da Marinha dos EUA".
Nesta quarta-feira, o Comando Europeu dos EUA (EUCOM) confirmou a detenção do petroleiro no Atlântico Norte. A embarcação, identificada nos registros dos EUA como 'M/V Bella 1', foi abordada e detida por pessoal da Guarda Costeira dos EUA durante a operação. O EUCOM acusa o navio de violar as sanções dos EUA.
Por sua vez, o Secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, ao comentar a apreensão do petroleiro, declarou que "o bloqueio ao petróleo venezuelano, tanto o sancionado quanto o ilícito, permanece em pleno vigor em qualquer lugar do mundo".
Anteriormente, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia havia denunciado a crescente e desproporcional atenção que a Marinha dos EUA vem dedicando ao seu petroleiro, o Marinera, em águas internacionais.
A chancelaria detalhou que uma embarcação da Guarda Costeira dos EUA estava perseguindo o petroleiro há dias, o qual se encontrava a cerca de 4 mil km da costa norte-americana. "Esperamos que os países ocidentais, que declaram seu compromisso com a liberdade de navegação em alto-mar, comecem a se concentrar em si mesmos ao implementar esse princípio", enfatizou o ministério.
