Secretário de Guerra dos EUA: bloqueio ao petróleo venezuelano vale em qualquer lugar do mundo'

Petroleiro russo é apreendido pelos EUA no Atlântico sob acusação de violar sanções.

O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quarta-feira (7) que o bloqueio norte-americano ao petróleo venezuelano sancionado "segue em pleno efeito — em qualquer lugar do mundo". A declaração foi feita em publicação nas redes sociais, logo após a confirmação de uma nova apreensão de navio no Oceano Atlântico por suposta violação de sanções dos EUA.

A fala de Hegseth acompanha o anúncio do Comando Europeu das Forças Armadas dos EUA sobre a apreensão da embarcação M/V Bella 1, registrada por autoridades americanas como envolvida no transporte de petróleo sob sanção. A operação contou com a atuação conjunta do Departamento de Justiça, do Departamento de Segurança Interna e da Guarda Costeira dos Estados Unidos.

De acordo com o comunicado oficial, o navio foi interceptado no Atlântico Norte, com base em um mandado expedido por um tribunal federal dos EUA. A embarcação foi rastreada pela Guarda Costeira a bordo do USCGC Munro antes da abordagem.

Em outra declaração, o secretário de Guerra dos Estados Unidos voltou a justificar as ações navais como parte de um esforço contra o que classificou como transporte ilegal de petróleo venezuelano.

"Os Estados Unidos continuam a impor o bloqueio contra todas as embarcações de frota clandestina que transportam ilegalmente petróleo venezuelano para financiar atividades ilícitas, roubando do povo venezuelano", escreveu Hegseth. Ele ainda afirmou que "somente o comércio energético legítimo e legal — conforme determinado pelos EUA — será permitido".

A publicação de Hegseth reforça a política adotada por Washington de impor sanções extraterritoriais, estendendo sua aplicação a embarcações e transações fora do território norte-americano, especialmente no que se refere ao petróleo venezuelano.

A operação ocorre um dia após uma denúncia formal apresentada por Moscou. Na terça-feira (6), a empresa russa BurevestMarin afirmou que o petroleiro Marinera, de bandeira russa, estava sendo perseguido por unidades da Guarda Costeira dos EUA em meio a uma tempestade no Atlântico Norte.

"Nossa embarcação civil, que não transporta carga e navega em lastro, está sendo perseguida há algum tempo pela Guarda Costeira dos Estados Unidos", declarou a empresa, informando ainda que a perseguição estaria sendo coordenada por aeronaves de reconhecimento da Marinha norte-americana.

A tripulação da embarcação russa é composta por cidadãos da Rússia, da Geórgia e da Ucrânia, e, segundo a empresa, não havia justificativa para ações militares contra um navio mercante vazio em navegação pacífica.

Moscou pediu que os Estados Unidos atuem com "moderação" e respeitem o direito marítimo internacional.