
EUA não assinam declaração sobre garantias de segurança para a Ucrânia

Os Estados Unidos decidiram não assinar a declaração de intenções no âmbito das garantias de segurança para a Ucrânia, acordada na terça-feira (06) em Paris pela "coalizão de voluntários", informa o Politico.
O acordo alcançado inclui o envio de uma força militar multinacional europeia ao território ucraniano. O texto também menciona a "supervisão do cessar-fogo liderada pelos EUA".

O Politico destaca que uma versão preliminar do texto — vista pela mídia — incluía uma cláusula que estabelecia que os EUA apoiariam a força multinacional em caso de ataque e forneceriam assistência em inteligência e logística. Essas referências foram eliminadas do documento final. Esperava-se que o pacto fosse endossado pelos EUA, mas "a declaração final foi assinada apenas pela coalizão de voluntários", informa o artigo.
O enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, declarou em Paris que "os protocolos de segurança foram amplamente finalizados" e garantiu que os Estados Unidos "estarão ao lado da Ucrânia", embora tenha evitado entrar em detalhes sobre os compromissos de Washington.
Enquanto isso, o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, ressaltou que as garantias de segurança devem contar com o apoio do Congresso americano, acrescentando que os documentos necessários já "estão preparados".
Passo para o envio de tropas estrangeiras à Ucrânia
O gabinete do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, declarou que "a 'Força Multinacional para a Ucrânia' atuará como segurança para reforçar as garantias e a capacidade da Ucrânia de recuperar a paz e a estabilidade, apoiando a regeneração das próprias forças ucranianas".
Segundo o presidente francês, Emmanuel Macron, a declaração estabelece os "componentes das garantias de segurança", que incluem o estabelecimento de um mecanismo de supervisão do cessar-fogo sob a liderança dos Estados Unidos, o apoio às Forças Armadas da Ucrânia e o compromisso legal de apoiar Kiev "em caso de um novo ataque por parte da Rússia".
Por sua vez, Starmer afirmou que Londres e Paris concordaram em estabelecer "centros militares" na Ucrânia, uma vez que o cessar-fogo seja acordado. Ele disse que serão construídas "instalações protegidas para armas e equipamentos militares, a fim de apoiar as necessidades defensivas da Ucrânia".
Alvo legítimo para Moscou
A Rússia tem repetidamente classificado como inaceitável o envio de contingentes militares estrangeiros para a Ucrânia. "Já dissemos centenas de vezes que, nesse caso, eles se tornarão um alvo legítimo para nossas Forças Armadas", afirmou o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, em dezembro.
Na opinião de Lavrov, "o 'partido da guerra' europeu, que investiu seu capital político na ideia de infligir uma 'derrota estratégica' à Rússia", não tem piedade “nem dos ucranianos nem de sua própria população".

