Notícias

Trump: Venezuela entregará dezenas de milhões de barris de petróleo aos EUA

Produto será vendido a preço de mercado e recursos serão controlados por Trump, segundo anúncio oficial.
Trump: Venezuela entregará dezenas de milhões de barris de petróleo aos EUAGettyimages.ru / Joe Raedle

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (6), por meio da plataforma Truth Social, que "autoridades 'interinas' da Venezuela irão transferir entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo sancionado e de alta qualidade para os Estados Unidos".

Segundo Trump, o petróleo será vendido a preço de mercado, e os recursos obtidos serão administrados diretamente por ele. "Esse dinheiro será controlado por mim, como presidente dos Estados Unidos da América, para garantir que seja usado para beneficiar o povo da Venezuela e dos Estados Unidos", escreveu.

De acordo com o comunicado, Trump determinou que o secretário de Energia, Chris Wright, execute imediatamente o plano logístico de transporte. O petróleo será transferido por navios de armazenamento e descarregado diretamente em portos norte-americanos.

'Gravíssima agressão militar'

  • Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de MirandaLa Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".

  • Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez fique encarregada da Presidência.

  • O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".

  • Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.

  • Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.

  • A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguezenviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência" e destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".

Maduro rejeita as acusações

Em sua primeira aparição perante o Tribunal Distrital do Sul de Nova York, em 6 de janeiro, Maduro declarou-se inocente das acusações contra ele. "Sou o presidente da Venezuela e me considero um prisioneiro de guerra. Fui capturado em minha casa em Caracas", afirmou .

"Não sou culpado, sou um homem decente, ainda sou o presidente do meu país", continuou ele perante o juiz Alvin Hellerstein. 

Em ocasiões anteriores, o presidente venezuelano insistiu que o verdadeiro motivo por trás da suposta luta de Washington contra o narcotráfico é o desejo de se apoderar do petróleo bruto da Venezuela.