
Delcy Rodríguez decreta sete dias de luto por vítimas de ataque militar nos EUA

A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou nesta terça-feira (6) sete dias de luto em homenagem às vítimas dos bombardeios norte-americanos de 3 de janeiro.
"Daqui, uma mensagem aos nossos jovens mártires, que deram a vida em defesa do nosso país: decidi decretar sete dias de luto em honra e glória aos jovens, mulheres e homens que morreram, que ofereceram suas vidas defendendo a Venezuela, defendendo o presidente Nicolás Maduro. Nosso reconhecimento a eles", anunciou durante uma visita a uma comunidade operária em Caracas.

Ela reiterou que "o mais importante" é "manter a paz" no país sul-americano e exigiu que "cesse o assédio contra a Venezuela, que cesse a agressão contra o valioso povo de Bolívar".
Os ataques dos EUA contra alvos civis e militares em Caracas e nos estados de Aragua, Miranda e La Guaira deixaram um número ainda indeterminado de vítimas. O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, referiu-se hoje a "dezenas de vítimas civis e militares inocentes", enquanto veículos de imprensa internacionais, como o The New York Times, estimam o número em cerca de 80 pessoas.
Por sua vez, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel confirmou a morte de 32 de seus compatriotas em Caracas, que faleceram em combate contra tropas americanas enquanto defendiam Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores.
'Gravíssima agressão militar'
Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez fique encarregada da Presidência.
O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.
Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, enviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência" e destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".
Maduro rejeita as acusações
Em sua primeira aparição perante o Tribunal Distrital do Sul de Nova York, em 6 de janeiro, Maduro declarou-se inocente das acusações contra ele. "Sou o presidente da Venezuela e me considero um prisioneiro de guerra. Fui capturado em minha casa em Caracas", afirmou .
"Não sou culpado, sou um homem decente, ainda sou o presidente do meu país", continuou ele perante o juiz Alvin Hellerstein.
Em ocasiões anteriores, o presidente venezuelano insistiu que o verdadeiro motivo por trás da suposta luta de Washington contra o narcotráfico é o desejo de se apoderar do petróleo bruto da Venezuela.
