
Delcy Rodríguez: 'As Forças Armadas terão em mim uma soldado pronta para a defesa da Venezuela'

A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, agradeceu nesta terça-feira (6) às Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) pelo "firme apoio" após sua posse no dia anterior.

"Em uma união cívico-militar, continuaremos avançando com firmeza e compromisso para garantir a estabilidade da pátria e o bem-estar social do povo venezuelano, conforme nos foi confiado pelo presidente Nicolás Maduro", escreveu.
Em sua mensagem, publicada em diversas plataformas, Rodríguez enfatizou que "a FANB, herdeira das glórias de nosso Libertador Simón Bolívar, terá em mim um soldado pronto para a defesa da Venezuela".
Com a declaração, Rodríguez respondeu ao comunicado publicado na segunda-feira (5) pelo ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, que classificou a posse como uma "vitória constitucional" diante da ausência de Nicolás Maduro, sequestrado dias antes por forças dos Estados Unidos.
"Nós, da FANB, apoiaremos a Dra. Delcy Rodríguez, presidente encarregada da República, na difícil tarefa que a turbulência geopolítica e a nação exigem dela. Contem conosco!", declarou Padrino.
'Gravíssima agressão militar'
Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez fique encarregada da Presidência.
O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.
Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, enviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência" e destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".
Maduro rejeita as acusações
Em sua primeira aparição perante o Tribunal Distrital do Sul de Nova York, em 6 de janeiro, Maduro declarou-se inocente das acusações contra ele. "Sou o presidente da Venezuela e me considero um prisioneiro de guerra. Fui capturado em minha casa em Caracas", afirmou .
"Não sou culpado, sou um homem decente, ainda sou o presidente do meu país", continuou ele perante o juiz Alvin Hellerstein.
Em ocasiões anteriores, o presidente venezuelano insistiu que o verdadeiro motivo por trás da suposta luta de Washington contra o narcotráfico é o desejo de se apoderar do petróleo bruto da Venezuela.
