Na OEA, Brasil condena ataque dos EUA na Venezuela: 'afronta gravíssima'

Representante brasileiro na OEA afirmou que país não hesitará em defender a não intervenção na América do Sul.

O Brasil condenou publicamente a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela durante reunião extraordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizada nesta terça-feira (6).

O encontro foi convocado após o ataque militar norte-americana que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, do território venezuelano no último sábado (3).

Representando o Brasil, o embaixador Benoni Belli declarou que o país considera "inaceitáveis" tanto o bombardeio quanto o sequestro de lideranças venezuelanas, classificando o episódio como uma ameaça à estabilidade da comunidade internacional.

"A defesa da soberania nacional, com base no direito internacional, é essencial. Se perdermos isso, perderemos a dignidade nacional e nos tornaremos coadjuvantes do nosso próprio destino. As relações de cooperação passarão a ser de subordinação, e assistiremos ao colapso da ordem internacional, que tenderá a ser regida pela lei da selva", afirmou Belli em seu discurso.

O diplomata reforçou que o Brasil mantém sua postura histórica contrária à intervenção estrangeira e não hesitará em defender a paz no continente sul-americano.

"Os bombardeios no território da Venezuela e o sequestro do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e ameaçam a comunidade internacional com precedente extremamente perigoso", pontuou. 

Durante a reunião, o embaixador dos Estados Unidos, Leandro Lizzuto, teve sua fala interrompida por uma manifestante que protestava contra a presença americana na Venezuela. A sessão foi suspensa temporariamente até que a mulher, que não foi identificada, fosse retirada do local.

'Gravíssima agressão militar'

Maduro rejeita as acusações

Em sua primeira aparição perante o Tribunal Distrital do Sul de Nova York, em 6 de janeiro, Maduro declarou-se inocente das acusações contra ele. "Sou o presidente da Venezuela e me considero um prisioneiro de guerra. Fui capturado em minha casa em Caracas", afirmou .

"Não sou culpado, sou um homem decente, ainda sou o presidente do meu país", continuou ele perante o juiz Alvin Hellerstein. 

Em ocasiões anteriores, o presidente venezuelano insistiu que o verdadeiro motivo por trás da suposta luta de Washington contra o narcotráfico é o desejo de se apoderar do petróleo bruto da Venezuela.