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Ministério das Relações Exteriores da Colômbia sobre ações dos EUA: 'É uma ameaça contra o mundo'

País sul-americano busca uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas que condene os eventos de 3 de janeiro na Venezuela.
Ministério das Relações Exteriores da Colômbia sobre ações dos EUA: 'É uma ameaça contra o mundo'Gettyimages.ru

A Colômbia reiterou sua firme rejeição à agressão dos EUA contra a Venezuela ocorrida no último 3 de janeiro, que incluiu o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. 

"Isto é uma ameaça para o mundo. Não foi apenas um ataque contra a Venezuela; não se trata de defender Maduro, não se trata de defender um país, trata-se de defender um sistema internacional que construimos desde a Segunda Guerra Mundial", afirmou Mauricio Jaramillo, Vice-ministro para Assuntos Multilaterais do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Durante uma coletiva de imprensa realizada por altos funcionários do Ministério das Relações Exteriores da Colômbia, foram delineadas as ações que o país sul-americano está tomando no campo das relações internacionais para lidar com a situação, em defesa de uma ordem internacional baseada no multilateralismo .

A este respeito, foi anunciado que a Colômbia levará o assunto ao Conselho de Segurança das Nações Unidas com o objetivo de obter uma resolução "condenada pelos eventos do último fim de semana na Venezuela", nas palavras de Jaramillo.

O país iniciou seu mandato como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas em 1º de janeiro, o que lhe permite ter voz e voto em decisões cruciais durante o período de 2026-2027.

Defesa da ordem multilateral

A ministra das Relações Exteriores, Rosa Villavicencio, descreveu os eventos recentes como "muito graves" e uma "agressão dos EUA". Ela afirmou que, nos últimos dias, intensificaram os esforços internacionais, incluindo reuniões com seus serviços consulares e diplomáticos e o uso das ferramentas e instrumentos da ordem internacional das Nações Unidas e da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Villavicencio fez alusão à reunião de segunda-feira (5) do Conselho de Segurança da ONU para deliberar sobre a situação na Venezuela e à reunião de terça-feira do Conselho Permanente da OEA, cuja presidência é atualmente exercida pela Colômbia.

Ele apelou para a necessidade de "defender os princípios que as nações estabeleceram com base no respeito, na integridade, na igualdade de tratamento, na manutenção da soberania nacional e na firme rejeição de todos os tipos de ameaças".

"Não hesitaremos em defender os princípios da Carta das Nações, de que a solução para a Venezuela seja alcançada por meio do diálogo e da decisão autônoma do povo venezuelano", acrescentou a Ministra das Relações Exteriores da Colômbia.

A ministra enfatizou que "somente os venezuelanos podem decidir seu destino", referindo-se a declarações recentes da Casa Branca, e expressou sua rejeição a "administrações de estilo colonial".

Nesta terça-feira (6), o Ministério das Relações Exteriores agendou uma reunião com o atual encarregado de negócios dos EUA na Colômbia, John McNamara, para apresentar suas queixas a respeito dos "insultos e ameaças" dirigidos ao presidente colombiano, Gustavo Petro.

Por sua vez, Jamarillo afirmou que estão em curso esforços para "começar a construir um maior consenso entre os Estados da América Latina e do Caribe".

"A gravidade do ocorrido não pode ser minimizada simplesmente porque houve uma alegada violação dos direitos humanos na Venezuela", concluiu.

"Estamos jogando com a paz mundial", acrescentou Villavicencio, apelando para o fato de a América Latina ser uma terra de paz e encorajando os cidadãos a levantarem suas vozes para exigir que assim permaneça e para defender "a soberania e a dignidade". "Antes, não as víamos ameaçadas, e hoje elas correm alto risco", disse.

Maduro rejeita as acusações

Em sua primeira aparição perante o Tribunal Distrital do Sul de Nova York, em 6 de janeiro, Maduro declarou-se inocente das acusações contra ele. "Sou o presidente da Venezuela e me considero um prisioneiro de guerra. Fui capturado em minha casa em Caracas", afirmou .

"Não sou culpado, sou um homem decente, ainda sou o presidente do meu país", continuou ele perante o juiz Alvin Hellerstein. 

Em ocasiões anteriores, o presidente venezuelano insistiu que o verdadeiro motivo por trás da suposta luta de Washington contra o narcotráfico é o desejo de se apoderar do petróleo bruto da Venezuela .

'Gravíssima agressão militar'

  • Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de MirandaLa Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".

  • Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez fique encarregada da Presidência.

  • O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".

  • Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.

  • Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.

  • A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguezenviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência" e destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".