
Trump diz que Maduro é 'um homem violento'

O presidente dos EUA, Donald Trump, chamou seu homólogo venezuelano, Nicolás Maduro, que foi sequestrado pelas forças americanas durante a grande agressão militar lançada contra o país latino-americano no último sábado (3), de "um cara violento".
"Sabe, ele é um cara violento. Ele sobe lá e tenta imitar um pouco a minha dança", declarou Trump na terça-feira (6) durante uma coletiva de imprensa.

"Mas ele é um cara violento e matou milhões de pessoas", afirmou, acrescentando que as autoridades venezuelanas "têm uma câmara de tortura no centro de Caracas que estão fechando" sem apresentar qualquer prova.
Ao falar sobre Maduro, Trump também abordou os ataques que a Venezuela sofreu na noite em que seu presidente foi sequestrado. "As pessoas dizem que foi uma das operações mais incríveis. Foi muito complexa. 152 aeronaves, [...] tínhamos muita gente em terra", disse ele.
O presidente norte-americano afirmou que "a eletricidade foi cortada em quase todo o país sul-americano" durante a agressão dos EUA. "Foi aí que eles perceberam que havia um problema. Não havia eletricidade", observou ele.
Maduro rejeita as acusações
Em sua primeira aparição perante o Tribunal Distrital do Sul de Nova York, em 6 de janeiro, Maduro declarou-se inocente das acusações contra ele. "Sou o presidente da Venezuela e me considero um prisioneiro de guerra. Fui capturado em minha casa em Caracas", afirmou .
"Não sou culpado, sou um homem decente, ainda sou o presidente do meu país", continuou ele perante o juiz Alvin Hellerstein.
Em ocasiões anteriores, o presidente venezuelano insistiu que o verdadeiro motivo por trás da suposta luta de Washington contra o narcotráfico é o desejo de se apoderar do petróleo bruto da Venezuela .
'Gravíssima agressão militar'
Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez fique encarregada da Presidência.
O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.
Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, enviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência" e destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".
