O presidente dos EUA, Donald Trump, comentou nesta terça-feira (06) o ataque de seu país contra a Venezuela e afirmou que ele foi realizado com a participação de mais de 150 aeronaves.
"As pessoas dizem que é uma das mais incríveis [operações]. Foi muito complexo. 152 aeronaves, [...] tínhamos muitas tropas no terreno", disse ele durante uma reunião com os republicanos da Câmara dos Representantes.
O presidente disse que "a eletricidade foi cortada em quase todo o país" sul-americano durante a agressão dos Estados Unidos. "Foi então que perceberam que havia um problema. Não havia eletricidade", disse ele.
Em seguida, Trump voltou a se referir à operação como "incrível" e "brilhante". Ele ressaltou que nenhum militar americano morreu, enquanto "do outro lado, muitas pessoas morreram". "Infelizmente, digo isso. Soldados. Cubanos, em sua maioria cubanos, mas muitos, muitos mortos. E eles sabiam que iríamos chegar. E eles estavam protegidos, e nossos rapazes, não", afirmou.
Anteriormente, foi divulgado que 32 combatentes cubanos morreram enquanto defendiam o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa do sequestro. O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, decretou dois dias de luto nacional pelos mortos.
'Gravíssima agressão militar'
Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez fique encarregada da Presidência.
O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.
Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, enviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência" e destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".