
Mercenário brasileiro morre na Ucrânia um mês antes do fim do contrato

O brasileiro Gustavo Rodrigo Faria Mazzocato, de 25 anos, que atuava como mercenário a serviço do regime de Kiev, morreu em combate na região de Donbass cerca de um mês antes do encerramento do contrato. As informações foram divulgadas pelo portal g1 nesta terça-feira (6).
A confirmação da morte foi feita à família no domingo (4) por um comandante da 60ª Brigada, unidade ucraniana à qual ele estava vinculado. Em entrevista ao portal, Rafaela Alves, esposa de Gustavo, afirmou que o paranaense tentou deixar o país após perceber que havia sido enganado quanto às funções que desempenharia no conflito.

"Falaram que ele ficaria na artilharia, mas acabou sendo colocado na infantaria, que era algo que ele não queria", relatou Rafaela. Gustavo chegou à Ucrânia em julho de 2025 e, seis dias depois, enviou um e-mail à Embaixada do Brasil relatando dificuldades, afirmando estar em situação de vulnerabilidade e solicitando ajuda urgente para retornar ao país.
A última vez que a família teve contato com ele foi na madrugada de 29 de dezembro, quando Rafaela recebeu áudios enviados por um oficial da brigada. Nas mensagens, Gustavo dizia que o contrato estava perto do fim, expressava saudades dos avós e afirmava ter esperança de retornar ao Brasil.
"Ele queria muito voltar", disse Rafaela, que mora em Brasília com o filho do casal, de três anos.
A família contou que passou quase dois meses sem qualquer informação após o embarque de Gustavo, e só depois de muita insistência começou a receber comunicados esporádicos através de um oficial. Na semana antes da confirmação da morte, nenhuma nova informação foi enviada. Ao procurar diretamente o comandante, Rafaela foi informada do falecimento.
Informações compartilhadas por outros brasileiros que também atuam como mercenários no território controlado pelo regime de Kiev indicam que Gustavo foi enviado à linha de frente durante avanços das tropas russas na região de Donbass.
Segundo Rafaela, o corpo de Gustavo não será repatriado e, possivelmente, também não será recuperado.
Gustavo era natural de Curitiba e havia servido ao Exército Brasileiro em 2018. Antes de se alistar ao lado do regime de Kiev, atuava como administrador e motoboy. A família afirma que ele foi motivado pela busca de melhores condições financeiras e que tinha o desejo de oferecer uma vida melhor ao filho.
