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Rússia: Venezuela deve ter garantido direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externa

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia defendeu uma distensão da situação e "a resolução de qualquer problema existente por meio do diálogo construtivo e do respeito às normas do direito internacional".
Rússia: Venezuela deve ter garantido direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externaGettyimages.ru / Jesus Vargas

A Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externa, afirmou nesta terça-feira (06) o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

"Insistimos firmemente que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir por si mesma seu destino, sem qualquer interferência destrutiva do exterior", diz o comunicado, acrescentando que Moscou defende "a desaceleração da situação atual e a resolução de qualquer problema existente por meio do diálogo construtivo e do respeito às normas do direito internacional, em particular a Carta das Nações Unidas".

"A América Latina e o Caribe devem continuar sendo uma zona de paz. O desenvolvimento soberano dos países da região deve ser garantido".

"Esta medida demonstra a determinação do Governo Bolivariano em garantir a unidade e preservar a estrutura vertical de poder estabelecida de acordo com a legislação nacional, mitigar os riscos de uma crise constitucional e criar as condições necessárias para um maior desenvolvimento pacífico e estável da Venezuela diante das flagrantes ameaças neocoloniais e da agressão armada do exterior", diz o comunicado.

"Reafirmamos a solidariedade inabalável da Rússia com o povo e o governo venezuelanos", destacou o Ministério das Relações Exteriores, ao mesmo tempo em que desejou a Rodríguez sucesso em enfrentar "os desafios que a República Bolivariana enfrenta".

'Gravíssima agressão militar'

  • Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de MirandaLa Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".

  • Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez fique encarregada da Presidência.

  • O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".

  • Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.

  • Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.

  • A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguezenviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência" e destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".