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Saiba mais sobre protesto no consulado dos Estados Unidos em São Paulo

Manifestantes se reuniram em frente ao prédio para defender a soberania venezuelana e criticar o que classificam como ingerência externa.
Saiba mais sobre protesto no consulado dos Estados Unidos em São PauloPaulo Pinto/Agência Brasil

Sindicatos, estudantes e movimentos sociais realizaram na segunda-feira (5) uma manifestação em frente ao Consulado dos Estados Unidos, em São Paulo, em protesto contra a a agressão militar norte-americana na Venezuela e em defesa da libertação do presidente Nicolás Maduro.

Os participantes defenderam a soberania venezuelana, a autodeterminação dos povos e o respeito ao governo e à população do país vizinho. Representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) classificaram a ação dos Estados Unidos como ingerência externa e alertaram para riscos à estabilidade regional.

Durante o ato, lideranças afirmaram que o sequestro de Maduro representa uma ameaça às democracias do continente e relataram mobilizações populares em curso na Venezuela.

Em comunicado divulgado no mesmo dia, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil confirmou a realização de protestos em várias cidades do país, incluindo São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre, todos relacionados às recentes ações dos EUA na Venezuela. A missão diplomática orientou cidadãos americanos a evitarem áreas próximas às manifestações e afirmou que as autoridades brasileiras acompanham a situação.

Segundo a embaixada, embora atos semelhantes costumem ocorrer de forma pacífica, manifestações podem se tornar "imprevisíveis".

'Gravíssima agressão militar'

  • Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de MirandaLa Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".

  • Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez fique encarregada da Presidência.

  • O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".

  • Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.

  • Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.

  • A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguezenviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência" e destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".