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Shell e BP se preparam para retornar à Venezuela para ganhar bilhões de dólares

A Shell pretende explorar um rico campo de gás chamado Campo Dragón, localizado em águas venezuelanas, que poderia gerar cerca de US$ 500 milhões em receitas anuais para a empresa durante três décadas.
Shell e BP se preparam para retornar à Venezuela para ganhar bilhões de dólaresMatthias Balk

As empresas britânicas de energia Shell e British Petroleum (BP) podem retornar à Venezuela para explorar novos campos de petróleo e gás após a agressão militar dos EUA contra o país latino-americano e o sequestro de seu presidente, Nicolás Maduro, informa o The Telegraph.

O meio de comunicação indicou que a Shell quer fazer extrações em um rico campo de gás chamado Campo Dragón, localizado entre a Venezuela e as ilhas vizinhas de Trinidad e Tobago, que contém aproximadamente 120 bilhões de metros cúbicos de gás. A exploração desse campo poderia gerar cerca de US$ 500 milhões em receitas anuais para a empresa durante três décadas.

A empresa já pretendia iniciar este projeto antes da imposição das duras sanções dos Estados Unidos contra a Venezuela, mas seu início ficou parado devido a disputas com as autoridades americanas sobre as licenças.

Uma oportunidade

As declarações de Donald Trump sobre sua intenção de assumir o controle da Venezuela e seu desejo de controlar o setor petrolífero venezuelano podem dar às empresas britânicas uma oportunidade de participar do desenvolvimento de vários campos, apontou o meio de comunicação. No entanto, vale ressaltar que a Shell e a BP podem ser obrigadas a implementar esses projetos em conjunto com empresas americanas, que, segundo Trump, devem desempenhar um papel fundamental no aumento da produção de petróleo e gás no país latino-americano.

Nesse contexto, Ashley Kelty, do banco de investimentos Panmure Liberum, destacou que os maiores benefícios da situação na Venezuela serão para as grandes petrolíferas americanas, em particular a Chevron. "As grandes petrolíferas europeias ficarão excluídas das melhores opções, mas serão convidadas a participar posteriormente, já que as empresas americanas vão querer joint ventures para diversificar o risco, e empresas como a Shell e a BP serão a primeira opção", afirmou.

A gravíssima agressão militar

  • Os Estados Unidos atacaram a Venezuela no último sábado (3), orquestrando uma operação que, segundo o governo venezuelano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de MirandaLa Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".

  • O governo da Venezuela denunciou o ataque como uma "violação flagrante" da Carta das Nações Unidas, que consagra o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. Caracas enfatizou que não há provas que liguem Maduro ao narcotráfico e alertou que o único interesse dos EUA é o petróleo venezuelano — justificativa confirmada por Trump, que anunciou que seu governo está "no comando" da Venezuela e que explorará o valioso recurso natural.
  • O presidente venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".

  • Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, provocaram os Estados Unidos à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.

  • Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.

  • Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelas autoridades de Caracas como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma como presidente encarregada.

  • A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguezenviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência". Ela destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".