
BBC teria proibido seus jornalistas de dizer que EUA 'sequestraram' Maduro

A BBC voltou a ser alvo de polêmica após a divulgação de uma suposta diretriz interna que desaconselha seus jornalistas a usar a palavra "sequestrado" ao se referirem ao sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. A nova orientação editorial foi divulgada por Owen Jones, colaborador do The National, que afirmou tê-la recebido de um membro da equipe da BBC.
"Conforme discutido na Nueve [reunião editorial diária das 9h da manhã], para garantir clareza e coerência em nossas reportagens, por favor, sigam estas diretrizes ao descrever os recentes acontecimentos na Venezuela:

'Capturado': por favor, atribuam isso à descrição americana da operação. Exemplo: 'Os EUA disseram que Maduro foi capturado durante a operação'.
'Detido': aceitável para uso em nossas próprias reportagens, quando apropriado.
Evitem usar 'sequestrado'".
"Os jornalistas da BBC foram proibidos de descrever o líder venezuelano sequestrado como sequestrado", disse Jones no X, onde compartilhou as novas diretrizes editoriais.
A diretriz divulgada por Jones conclui com um lembrete à equipe para levar em conta essas orientações ao trabalhar em matérias relacionadas, apesar de o próprio Donald Trump não se ter mostrado contra o uso da palavra "sequestro", em referência ao rapto do presidente venezuelano.
Questionado por uma jornalista sobre as declarações da presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, que disse que Maduro havia sido sequestrado, Trump respondeu que "não é um termo ruim".
A gravíssima agressão militar
Os Estados Unidos atacaram a Venezuela no último sábado (3), orquestrando uma operação que, segundo o governo venezuelano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
- O governo da Venezuela denunciou o ataque como uma "violação flagrante" da Carta das Nações Unidas, que consagra o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. Caracas enfatizou que não há provas que liguem Maduro ao narcotráfico e alertou que o único interesse dos EUA é o petróleo venezuelano — justificativa confirmada por Trump, que anunciou que seu governo está "no comando" da Venezuela e que explorará o valioso recurso natural.
O presidente venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, provocaram os Estados Unidos à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.
Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelas autoridades de Caracas como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma como presidente encarregada.
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, enviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência". Ela destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".

