O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, confirmou nesta segunda-feira (5) que o Brasil enviará insumos médicos à Venezuela, incluindo equipamentos e medicamentos para pacientes que necessitam de diálise. A medida ocorre após o ataque dos Estados Unidos que destruiu um centro de distribuição de insumos e tratamento para pacientes renais no país vizinho.
Em entrevista coletiva, Padilha afirmou que o governo brasileiro atua para viabilizar o apoio.
"Estamos buscando mobilizar, utilizando a estrutura do SUS (Sistema Único de Saúde) e empresas privadas, insumos para diálise e medicamentos, e brindaremos esse apoio ao povo venezuelano, cujo centro de distribuição foi atacado", declarou o ministro.
Razões humanitárias
No domingo (4), em entrevista à GloboNews, Padilha destacou que a decisão envolve motivos humanitários e considerações sanitárias regionais. Segundo ele, o Brasil será solidário com a Venezuela "não só por razões humanitárias (…) mas também porque, se não ajudamos, somos nós os afetados, porque temos fronteira com esse país e o que afeta a saúde desse povo rapidamente afeta o sistema de saúde brasileiro".
'Gravíssima agressão militar'
Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez fique encarregada da Presidência.
O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.
Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, enviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência" e destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".