
EUA planejam discutir setor energético da Venezuela com executivos petrolíferos, diz Bloomberg

Washington deve realizar, nesta semana, reuniões com executivos de empresas petrolíferas para tratar do setor energético da Venezuela, segundo informou a Bloomberg nesta segunda-feira (5), com base em uma fonte familiarizada com o assunto. As conversas ocorrem após a operação militar dos Estados Unidos em Caracas e a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores.

De acordo com a agência, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, participará da Conferência de Energia, Tecnologias Limpas e Serviços Públicos do Goldman Sachs, em Miami. O evento contará com a presença de executivos da ConocoPhillips e da Chevron Corp., descrita como a única grande petrolífera que ainda opera na Venezuela, entre outras companhias.
No domingo (4), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que conversou "basicamente com todas" as empresas petrolíferas sobre a possibilidade de ingresso no país sul-americano.
"Elas estão muito ansiosas para entrar na Venezuela", disse o presidente a jornalistas a bordo do Air Force One. Segundo Trump, o objetivo é reconstruir o sistema petrolífero venezuelano e recuperar ativos que, em sua avaliação, foram apropriados de forma indevida.
"As companhias petrolíferas vão entrar e reconstruir este sistema. Vão gastar milhares de milhões de dólares e vão tirar o petróleo do solo", afirmou.
Autoridades em Caracas declararam por reitaradas vezes que o objetivo dos recentes ataques dos Estados Unidos "não é outro a não ser apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular de seu petróleo e minerais".
'Gravíssima agressão militar'
Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez fique encarregada da Presidência.
O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.
Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, enviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência" e destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".


