
'A Venezuela não deve ser empurrada para a instabilidade', diz Erdogan a Trump

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, transmitiu ao seu homólogo americano, Donald Trump, a sua preocupação com o sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

"Em nossa conversa telefônica com o presidente dos EUA, Trump, transmitimos as preocupações do nosso país. Enfatizamos que a Venezuela não deve ser empurrada para a instabilidade. A Turquia e o povo turco continuarão ao lado do povo venezuelano em sua luta por bem-estar, paz e desenvolvimento", declarou nesta segunda-feira (5).
Nesse contexto, ele observou que "é um fato que a violação dos direitos soberanos dos países e o desrespeito ao direito internacional são medidas arriscadas que podem causar sérias complicações em nível global".
"Em um mundo onde a Lei do mais forte prevalece sobre o Estado de Direito, a instabilidade, as crises e os conflitos são inevitáveis. Como Turquia, não queremos de forma alguma o caos, a desordem ou as tensões, seja em nossa região ou em qualquer outro lugar do mundo", acrescentou o presidente turco.
A gravíssima agressão militar
Os Estados Unidos atacaram a Venezuela no último sábado (3), orquestrando uma operação que, segundo o governo venezuelano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
- O governo da Venezuela denunciou o ataque como uma "violação flagrante" da Carta das Nações Unidas, que consagra o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. Caracas enfatizou que não há provas que liguem Maduro ao narcotráfico e alertou que o único interesse dos EUA é o petróleo venezuelano — justificativa confirmada por Trump, que anunciou que seu governo está "no comando" da Venezuela e que explorará o valioso recurso natural.
O presidente venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, provocaram os Estados Unidos à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.
Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelas autoridades de Caracas como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma como presidente encarregada.
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, enviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência". Ela destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".
