'Um precedente muito preocupante': o sério alerta da Espanha após o ataque dos EUA à Venezuela

Embaixador espanhol na ONU, Héctor Gómez Hernández afirmou que a democracia não pode ser imposta pela força e apelou a "um amplo diálogo entre os venezuelanos".

A Espanha alertou nesta segunda-feira (5) que a operação militar dos EUA na Venezuela cria "um precedente muito preocupante" para a paz e a segurança regional e lembrou que "os recursos naturais do país fazem parte de sua soberania", durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.

"O respeito pelos princípios da Carta das Nações Unidas, em particular a soberania e a integridade territorial dos Estados e a proibição do uso e da ameaça da força, é indispensável para garantir a coexistência internacional", afirmou o embaixador espanhol na ONU, Héctor Gómez Hernández.

Madri defendeu a validade de uma ordem internacional baseada em regras e a resolução pacífica de disputas, em conformidade com a Carta da ONU. A Espanha expressou sua profunda preocupação com o ocorrido na Venezuela, que constitui um precedente muito preocupante com implicações para a região e o mundo, citando o Secretário-Geral António Guterres.

Por outro lado, Gómez Hernández salientou que o país "concorda" que o combate ao crime organizado na região é "uma prioridade", mas "só pode ser feito através da cooperação internacional".

O diplomata enfatizou que a democracia não pode ser imposta pela força e pediu um "amplo diálogo entre os venezuelanos" para uma "solução pacífica e democrática para a Venezuela".

Europa

A Espanha tem sido um dos países europeus que expressou sua rejeição às ações dos EUA com veemência. No sábado (3), o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, declarou: "A Espanha não reconheceu o regime de Maduro. Mas também não reconhecerá uma intervenção que viola o direito internacional e empurra a região para um horizonte de incerteza e beligerância".

A este respeito, o Ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol reconheceu o valor das declarações emitidas pelas instituições da União Europeia (UE), mas com algumas ressalvas: "Teri  preferido uma declaração mais incisiva da UE, mas o documento apela ao respeito pelo direito internacional nos seus dois primeiros parágrafos. E isso tem um toque muito espanhol", afirmou. 

O governo espanhol, como tem feito nos últimos anos, garante que manterá contato tanto com a nova presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, quanto com a oposição. 

A gravíssima agressão militar